Líderes europeus realizam último encontro de 2016, com o Brexit em destaque

Bruxelas, 14 dez 2016 (AFP) - Os líderes europeus realizam nesta quinta-feira o seu último encontro do ano, sem a primeira-ministra britânica Theresa May, para preparar a saída do Reino Unido do bloco e deixar para trás um ano muito difícil para o projeto europeu.

O divórcio com a Grã-Bretanha, o primeiro de um país em quase 60 anos de projeto europeu, foi um duro golpe para a UE, já enfraquecida por uma série de crises nos últimos anos, como mostra a agenda da cúpula oficial antes do jantar informal a 27.

Theresa May participará apenas na reunião do Conselho Europeu, com o resto de seus colegas, que deverão decidir sobre a extensão das sanções contra a Rússia em razão do conflito na Ucrânia, sobre medidas para gerir a crise migratória e a guerra na Síria.

A cúpula de quinta-feira, a última da atual sede do Conselho da UE, será "muito difícil", uma vez que muitas coisas podem dar errado, reconhece uma fonte europeia. A próxima reunião dos 28 em março será realizada nas novas instalações.

- Conversas 'razoáveis' - Apesar da agenda complicada, a atenção estará centrada no jantar informal dos 27, durante o qual deverá ser aprovado um documento que pede o "início o quanto antes possível das negociações" com Londres, segundo uma fonte europeia.

Os líderes europeus, exceto May, se dizem "prontos para negociar" a partir do momento em que Londres notificar oficialmente a sua vontade de abandonar o bloco.

A vontade do governo britânico é comunicar essa decisão antes do final de março de 2017.

Embora a primeira-ministra britânica tenha criticada outra reunião dos 27 em Bratislava para desenhar um roteiro para o futuro da UE, o seu porta-voz considerou "razoável" esse encontro nesta ocasião.

"Aqueles que ficaram na UE precisam discutir como gerenciar o processo de saída", acrescentou.

O negociador da Comissão Europeia para o Brexit, Michel Barnier, que na semana passada deu a entender que um acordo com o Reino Unido deve ser alcançado antes de outubro de 2018, "vai estar na vanguarda [das negociações], em coordenação" com os países do bloco, de acordo com fontes europeias.

- Vinho ibérico - O referendo britânico em junho trouxe consigo ventos de mudança nas esferas mais elevadas da Europa. Por causa da vitória do Brexit, o então primeiro-ministro britânico David Cameron renunciou, mas a insatisfação dos europeus com os seus líderes não parou por aí.

O italiano Paolo Gentiloni participará de sua primeira cúpula como chefe de governo italiano após a renúncia de seu antecessor Matteo Renzi, que perdeu um referendo constitucional. Já para o impopular presidente francês François Hollande, será uma das últimas reuniões do Conselho que participará, depois de renunciar que não perdente buscar um segundo mandato.

O almoço de trabalho sobre a reforma do sistema de asilo europeu e o acordo de associação com a Ucrânia será regado com vinhos portugueses e espanhóis para acompanhar os pratos preparados por ocasião do 30º aniversário da adesão de Portugal e Espanha à União Europeia.

Pelo papel da Rússia no conflito no leste da Ucrânia, os 28 países do bloco europeu, preocupados com a aparente proximidade do futuro presidente americano, Donald Trump, do presidente russo, Vladimir Putin, poderiam decidir por prolongar por seis meses as sanções contra a Rússia, apesar da relutância da Itália.

Novas medidas contra Moscou por seu apoio a Damasco na guerra na Síria parece uma possibilidade já descartada, mas "a UE considera todas as opções disponíveis", de acordo com um projeto de conclusões consultado pela AFP.

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