Morre cardeal Paulo Evaristo Arns, que lutou contra ditadura militar

São Paulo, 14 dez 2016 (AFP) - O cardeal brasileiro Paulo Evaristo Arns, que foi arcebispo de São Paulo e denunciou as torturas cometidas durante o regime militar, faleceu nesta quarta-feira (14), aos 95 anos, em consequência de uma pneumonia.

"Informo, com grande tristeza, que o cardeal Paulo Evaristo Arns entregou sua vida a Deus", informou, em nota, o atual arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer, destacando "seus 71 anos de sacerdócio, 50 de episcopado e 43 na função de cardeal".

Arns estava hospitalizado desde 28 de novembro por problemas pulmonares, mas seu estado piorou, em função de complicações renais, segundo os médicos.

Quinto dos 13 filhos de um casal de imigrantes alemães, Paulo Evaristo Arns nasceu em 1921, em Forquilhinha, em Santa Catarina. Entrou para a Ordem dos Franciscanos, em 1939. Licenciou-se em Teologia e em Filosofia e se ordenou padre em 1945.

Depois, estudou Letras e Pedagogia na Universidade de Sorbonne, onde obteve seu Doutorado em Línguas Clássicas. Publicou 57 livros.

Como bispo e arcebispo de São Paulo, desenvolveu muitos projetos pelos mais pobres. E, na ditadura militar (1964-85), pronunciou-se a favor dos direitos humanos.

Em janeiro de 1971, quando era arcebispo, denunciou a prisão e a tortura de dois trabalhadores da pastoral: o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini. No mesmo ano, apoiou os "bispos vermelhos" Hélder Câmara e Waldyr Calheiros, que estavam sob pressão do regime militar.

O militante argentino dos Direitos Humanos e Prêmio Nobel da Paz 1980, Adolfo Pérez Esquivel, declarou "ter sido salvo duas vezes" por Paulo Evaristo Arns durante a ditadura no Brasil.

Em 1985, fundou a Pastoral da Infância com o apoio de sua irmã Zilda Arns. Ela faleceu no terremoto de 2010, no Haiti, onde fazia trabalhos humanitários.

O cardeal recebeu vários prêmios e reconhecimentos no Brasil e no exterior.

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