Começa corrida para escolher candidato socialista à Presidência da França

Paris, 15 dez 2016 (AFP) - Pelo menos meia dúzia de candidatos, incluindo o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, vão disputar a indicação socialista para as eleições presidenciais francesas de 2017 em um contexto inédito após a renúncia de François Hollande de tentar um novo mandato.

O vencedor destas eleições internas, cujo prazo para inscrição termina nesta quinta-feira, deverá enfrentar no primeiro turno das presidenciais o conservador François Fillon e a candidata da extrema-direita Marine Le Pen, anunciados como os dois favoritos.

A lista completa de candidatos para as primárias socialistas, realizadas em dois turnos em 22 e 29 de janeiro, será anunciada no sábado.

À margem desta batalha interna, aquele que é chamado de líder da "esquerda rebelde", Jean-Luc Mélenchon, e o ex-ministro de Hollande, Emmanuel Macron, que rompeu com os socialistas, lançaram suas candidaturas de forma independente, o que agrava ainda mais a dispersão da esquerda.

"A esquerda, totalmente fragmentada, parte em uma posição muito difícil para as eleições presidenciais", afirma Jean-Daniel Levy, do instituto de pesquisas Harris Interactive.

"Há uma oferta eleitoral totalmente dispersa, com vários candidatos e horizontes políticos totalmente distintos, incluindo uma parte importante de ex-ministros", acrescenta Levy.

Neste contexto, todas as pesquisas apontam que nenhum candidato da esquerda conseguiria se qualificar para o segundo turno das eleições presidenciais.

Desinteresse dos eleitoresA decisão de François Hollande de não batalhar pela reeleição após um primeiro mandato impopular, abriu o caminho para o primeiro-ministro Manuel Valls, que, convencido de ser o único candidato capaz de "unir a esquerda", demitiu-se do governo para embarcar na corrida presidencial.

As pesquisas mostram que este espanhol de nascimento, de 54 anos, é o candidato preferido dos simpatizantes socialistas, apesar da forte oposição em suas próprias fileiras por sua personalidade inflexível e seu discurso favorável às empresas.

Valls vai enfrentar dois de seus ex-ministros, Arnaud Montebourg e Benoît Hamon, representantes da ala mais à esquerda do PS, que foram excluídos do governo em 2014 depois de declarações críticas contra a linha econômica liberal adotada pelo Executivo.

A eles, somam-se Vincent Peillon, ex-ministro da Educação, Silvia Pinel, ex-ministra da Habitação e única mulher na disputa, François de Rugy (Partido Verde) e Jean-Luc Bennahmias (Frente Democrática).

Após o anúncio da lista completa de candidatos, os aspirantes vão medir forças em três debates televisivos entre 12 e 19 de janeiro. Os dois finalistas vão se enfrentar em 25 de janeiro, em um duelo cara a cara.

Os organizadores das primárias preveem uma participação menos importante do que em 2011, ano em que 2,7 milhões de franceses foram às urnas para eleger o candidato socialista à presidência.

Como nas primárias da direita no mês passado, o voto será aberto a todos os franceses com mais de 18 anos, desde que pague EUR 1 e assine uma carta de compromisso com os valores da esquerda.

Jean-Daniel Lévy concorda que há um "significativo desinteresse" por parte dos eleitores. "Em 2011, os eleitores estavam convencidos de que tinham uma chance de ganhar a eleição presidencial, agora acreditam que não há nenhuma chance de vitória", disse ele.

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