Governo sírio suspende operações de evacuação em Aleppo

Alepo, Síria, 16 dez 2016 (AFP) - O governo sírio suspendeu nesta sexta-feira a operação de evacuação de rebeldes e civis da cidade de Aleppo, o que aumenta os temores de uma retomada dos combates para conquistar o último reduto dos insurgentes na segunda cidade da Síria.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, denunciaram a suspensão das operações e pediram que a evacuação seja retomada. "Aleppo neste momento é sinônimo de inferno", afirmou Ban em Nova York.

A operação de evacuação, iniciada na quinta-feira, deveria durar vários dias, mas o exército sírio a suspendeu na manhã desta sexta-feira alegando que os rebeldes "não respeitavam as condições do acordo".

"Os rebeldes abriram fogo, quiseram levar armas não incluídas no acordo e partir com reféns", ou seja, levar os militares ou funcionários governamentais que estavam em seu poder, disse uma fonte militar síria.

Por volta das 11h00 (07h00 de Brasília) foram ouvidos disparos em Ramusa, por onde transitam os evacuados dos últimos bairros do leste de Aleppo ainda controlados pelos rebeldes.

"Pediram aos funcionários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) que se retirassem", confirmou Elisabeth Hoff, representante da OMS na Síria.

Hoff manifestou sua inquietação pelos civis que seguem bloqueados no enclave rebelde, lembrando que entre eles ainda havia muitas crianças menores de cinco anos.

Por sua vez, a Rússia anunciou que a evacuação dos rebeldes e suas famílias havia terminado e que as tropas sírias estavam liquidando os "últimos focos de resistência" em Aleppo.

No entanto, em Aleppo, um general sírio indicou à AFP que a operação de evacuação estava "suspensa, mas não terminada".

O presidente russo, Vladimir Putin, principal apoiador do governo sírio, declarou por sua vez que a "próxima etapa" na Síria será "um cessar-fogo no conjunto do território", para o que a Rússia negocia com a oposição armada através da Turquia. De Tóquio, Putin sugeriu que poderia propor uma reunião em um lugar neutro, por exemplo, "na capital do Cazaquistão, Astana".

Restam 40.000 civis a retirarO emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, considerou que ainda restam 40.000 civis e entre 1.500 e 5.000 combatentes no último reduto rebelde em Aleppo.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) estimou, por sua vez, que já foram evacuadas 8.500 pessoas, entre elas 3.000 combatentes.

Entre as pessoas retiradas há ao menos 250 feridos, disse por sua vez Ahmad al-Dbis, chefe de uma unidade de médicos e voluntários que coordena a evacuação dos feridos. Ao menos 50 feridos foram transferidos à Turquia.

A suspensão desta retirada pode se dever a um bloqueio na evacuação dos feridos nas localidades xiitas favoráveis ao governo de Fua e Kafraya, na província de Idlib (noroeste), sitiadas pelos rebeldes, disse o OSDH.

A saída destes feridos era uma das condições do acordo assinado pelo exército sírio e pelos rebeldes.

Antes da suspensão, ambulâncias e ônibus seguiram transferindo gente durante toda a noite dos bairros do leste de Aleppo, sob controle rebelde, até os setores rurais da província de Aleppo nas mãos dos insurgentes.

O governo do presidente Bashar al-Assad espera o fim desta retirada para proclamar oficialmente a vitória em Aleppo, a mais importante desde o início da guerra civil, em 2011.

A província de Idleb, para onde se dirigem os evacuados, é agora o último reduto da rebelião, que além disso controla a maioria da província meridional de Deraa e algumas zonas dispersas, sitiadas pelo exército, perto de Damasco.

Na capital, Damasco, a explosão em uma delegacia de um artefato explosivo ativado à distância por uma menina de oito anos, que pediu para usar o banheiro e deixou o dispositivo ali, deixou três policiais feridos, segundo fontes do regime.

Nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU se reunirá para discutir um eventual envio de observadores internacionais encarregados de supervisionar a evacuação.

A guerra civil síria provocou desde 2011 a morte de mais de 310.000 pessoas.

bur-sah-sk/tp.

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