ONU decide neste final de semana envio de observadores a Aleppo

Nações Unidas, Estados Unidos, 16 dez 2016 (AFP) - O Conselho de Segurança deve votar neste final de semana uma resolução francesa que solicita o envio de observadores internacionais para supervisionar a saída de civis e rebeldes da cidade síria de Aleppo, informou a embaixadora americana na ONU.

"Esperamos votar neste final de semana devido à extrema urgência deste caso", disse Samantha Power após uma reunião do Conselho, destacando que Washington apoia o projeto francês.

"A presença de observadores independentes pode evitar alguns dos piores horrores", avaliou Power.

A França disse na reunião do Conselho que trabalha para apresentar rapidamente um rascunho com sua proposta, mas a Rússia, principal aliado da Síria, se mostrou cética.

"Há alguns elementos que me parecem questionáveis", disse o embaixador russo, Vitali Churkin, alegando que enviar observadores a Aleppo pode exigir semanas.

"Pensar que se pode fazer isto em dois ou três dias é realmente ingênuo".

"A prioridade imediata é salvar vidas, deter os massacres e evitar uma nova Srebrenica", declarou o diplomata francês François Delattre, em referência ao massacre dos bósnios muçulmanos durante a guerra nos Bálcãs.

Segundo Samantha Power, o pessoal da ONU no terreno "nos afirmou há uma hora que estão preparados para garantir a supervisão" das evacuações e a gestão da ajuda humanitária. "Falta apenas que a Síria permita o acesso aos civis".

O Exército sírio suspendeu na manhã desta sexta-feira a operação de evacuação iniciada na véspera, que deveria durar vários dias, alegando que os rebeldes "não respeitaram as condições do acordo".

A suspensão provoca o temor da retomada dos combates para conquistar o último reduto dos rebeldes na segunda cidade da Síria.

Não está claro o número de pessoas que permanecem no leste de Aleppo, mas milhares de civis podem estar retidos na zona.

O governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, impediu durante meses a entrada em Aleppo dos comboios de ajuda da ONU, enquanto as forças do regime realizavam uma ofensiva para liquidar os combatentes da oposição que controlavam o leste da cidade desde 2012.

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