Rússia é acusada de interferir em eleição, mas provas são escassas

Moscou, 16 dez 2016 (AFP) - A Rússia e seu presidente, Vladimir Putin, em particular, foram acusados diretamente pelo Estados Unidos de interferir nas eleições eleitorais, porém as provas que permitem identificar os autores desses ciberataques são escassas.

Os problemas cibernéticos do partido democrata têm preocupado também a Alemanha e a França, onde ocorrerão eleições em 2017 e por serem locais nos quais a influência da Rússia cresce cada vez mais.

No Estados Unidos, o presidente Barack Obama acusou nesta sexta-feira (16) de forma oficial a Rússia, e ameaçou o Kremlin com retaliações "públicas" e secretas.

Um de seus conselheiros mais próximos, Ben Rhodes, considerou que esse ataque informático não pode ter acontecido "sem que Vladimir Putin o soubesse".

- O que se sabe -O escândalo veio à tona em junho, quando CrowdStrike, uma empresa americana de segurança informática, revelou que dois grupos de hackers, Fancy Bear e Cozy Bear, tiveram acesso aos computadores do partido democrata.

O primeiro se infiltrou desde o verão de 2015 para interceptar todas as comunicações do partido, enquanto o segundo buscou e roubou, desde março de 2016, documentos relacionados a Donald Trump.

Para CrowdStrike, não há duvida. Cozy Bear está vinculado aos serviços militares russos de informação (FSB). Um mês depois dessas revelações, o WikiLeaks começou a publicar uma parte dos e-mails internos hackeados do partido democrata.

Em 7 de outubro, as 17 agências americanas de informação concluíram que a iniciativa de hackear foi organizado na Rússia. Em plena campanha eleitoral, foram sendo divulgados quase que diariamente e-mails de John Podesta, presidente da equipe de campanha de Hillary Clinton.

As acusações prosseguem após a vitória de Donald Trump e o Washington Post cita um informe da CIA no qual a Rússia interviu na eleiçção do magnata.

No dia 12 de dezembro, o Congresso anunciou que abriria uma investigação parlamentar sobre as interferências russas na eleição presidencial. Três dias depois, Barack Obama advertiu que a Rússia sofreria "retaliações".

Desde o início do escândalo, a Rússia nega toda as acusações.

- A Rússia dispõe de meios técnicos suficientes? -Herdeiros da época soviética, quando a URSS era líder em temas de espionagem econômica, pode-se dizer que os hackers russos possuem um grande talento.

O primeiro país a ser testado foi a Estônia em 2007. Após um desacordo diplomático, as principais páginas da internet do país báltico receberam inumeráveis informações informáticas, deixá-las inutilizáveis. Um ataque sem precedentes que inclusive deixou o número de urgências inoperante durante mais de uma hora.

Ucrânia e Geórgia, que também mantêm tensas relações com a Rússia, sofreram igualmente ataques parecidos.

"Levando em conta a história da Rússia em relação a ciberataques, penso que se trata de uma ação coordenada de setores privados e do governo, com setores informais envolvidos, todos coordenados no mais alto nível", explica à AFP o chefe de redação da Agenta.ru, Andreï Soldatov.

Para esse especialista em serviços de segurança russos e em cibercriminalidade, "o papel desses serviços secretos não são tão claros".

Fancy Bear e Cozy Bear não tiveram que ter grandes máquinas para piratear as contas dos democratas. Bastou um simples "phishing", um envio de e-mails tendo que passar pelo Google contendo um vínculo para instalar o programa espião.

- O objetivo era eleger Trump? -A Rússia hackeou o partido democrata para possibilitar a eleição de Donald Trump? Os especialistas duvidam de tal hipótese.

O New York Times explica que "muitos responsáveis dos serviços de informação --que teriam sido responsáveis da equipe de campanha de Clinton-- pensam que o primeiro objetivo dos russos era simplesmente perturbar a campanha e fazer cair a confiança na legitimidade da eleição".

Para Andreï Soldatov, também existiu a intenção de debilitar Clinton, considerada pelo Kremlin como "uma espécie de inimiga jurada" desde que, sendo secretária de Estado, apoiou as manifestações relativas às eleições legislativas no final de 2011.

"Mas não estou certo se o principal objetivo era provocar a eleição de Trump. O Kremlin é adepto à teorias da conspiração. Acreditam em resultados eleitorais pré-determinados", acrescenta Andreï Soldatov.

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