Cinco prisões em operação contra o ETA na França

Bayonne, França, 17 dez 2016 (AFP) - Cinco franceses foram presos em Bayonne numa operação conjunta da polícia francesa e da Guarda Civil espanhola contra a organização separatista armada basca ETA, em que foi confiscado um arsenal. Os detidos denunciaram uma "intervenção política".

Agentes franceses e espanhóis prenderam cinco pessoas, entre elas uma mulher, e apreenderam "um número importante de armas, explosivos e munição" na noite desta sexta-feira, na localidade de Louhossoa, perto de Bayonne, sudoeste da França, anunciou o Ministério do Interior.

Os detidos poderão ser transferidos amanhã ou depois para Paris, onde foi aberta uma investigação por formação de quadrilha vinculada a uma empresa terrorista, segundo fontes ligadas ao caso.

Entre os detidos está o líder do movimento ecologista Bizi!, Jean-Noël Etcheverry, um ex-presidente da Câmara de Comércio do País Basco e uma jornalista.

Ao contrário das primeiras informações, o advogado Michel Tubiana, presidente de honra da ONG Liga dos Direitos Humanos (LDH), não está entre os presos. "Deveria estar, mas não pude ir", disse à AFP, denunciando a operação.

Segundo ele, o objetivo dos representantes da sociedade civil presos era "destruir armas do ETA e entregá-las à polícia. Não nos escondemos, nossas intenções eram claras desde o começo", afirmou.

"Há um bloqueio total do processo de desarmamento do ETA, um bloqueio que vem dos governos francês e espanhol. Vários membros da sociedade civil quiseram relançar o processo realizando uma primeira destruição de armas. Essa operação policial é claramente política", denunciou.

O ministro francês do Interior, Bruno Le Roux, defendeu que "ninguém tem o direito de se proclamar destruidor de armas e, eventualmente, de provas". Antes, havia classificado a prisão de "um novo golpe duro contra o ETA", enquanto seu colega espanhol, Juan Ignacio Zoido, disse que "a Guarda Civil aplicou um duro golpe contra o grupo terrorista ETA na França".

Movimentos nacionalistas bascos convocaram uma manifestação de protesto, que reuniu, segundo eles, mais de 4 mil pessoas em Bayonne, incluindo vereadores de direita e esquerda.

A mais antiga associação francesa de defesa dos direitos humanos, LDH, denunciou um "golpe no processo de paz", e afirmou que França e Espanha mostraram "sua vontade de ignorar o processo iniciado pela sociedade civil em ambos os lados dos Pirineus para reconciliar todos os componentes do País Basco".

O deputado local Jean Lassalle denunciou "o giro autoritário maquiavélico do Estado francês".

Em outubro de 2011, o ETA renunciou definitivamente à violência, mas se nega a se dissover e entregar as armas, como exigem os governos espanhol e francês.

Em 12 de outubro, foi descoberto um arsenal do ETA escondido na floresta de Compiègne, perto de Paris. Em 5 de novembro, um dos últimos chefes do ETA, Mikel Irastorza, foi preso em Bayonne. Na última quarta-feira, outro membro da organização foi preso, em Marselha.

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