Líder do partido espanhol Podemos faz autocrítica

Madri, 17 dez 2016 (AFP) - O líder do partido espanhol antiausteridade Podemos, Pablo Iglesias, fez neste sábado uma "autocrítica" ao reconhecer que, desde 2014, a organização estava ligada demais à sua figura, e assinalou a necessidade de pluralidade.

"Precisamos de um Podemos que não seja o partido de Pablo Iglesias, que possa ter diferentes secretários-gerais, e estou convencido de que, no futuro, outras companheiras e outros companheiros assumirão esta função", assegurou Iglesias, quase três anos depois da fundação do Podemos como partido surgido do movimento dos indignados na Espanha.

Iglesias, 38 anos, falava em uma reunião do "Conselho Cidadão" do partido, sentado ao lado do secretário político Íñigo Errejón, 33 anos.

Ambos os fundadores do Podemos desenvolveram ao longo do ano pontos de vista cada vez mais divergentes sobre a forma de se organizarem e de se posicionarem.

"Eu quero transmitir aqui uma autocrítica", afirmou em uma declaração gravada e publicada no Twitter. "Acredito que não era necessário excluir as minorias do órgão de direção do Podemos", como foi feito no primeiro congresso do partido, em novembro de 2014.

Naquele momento, "entendíamos que o Podemos necessitava de um modelo presidencialista (mas), acredito que, até certo ponto, exageramos", admitiu, julgando que a direção estava "vinculada demais à figura do secretário-geral".

Apesar disso, Iglesias pediu que o Podemos não virasse "um campo de batalha" e que evitassem a formação de "blocos, correntes e partidos dentro do partido (com posturas) irreconciliáveis".

Em 2014, o congresso do Podemos havia validado um modelo de direção centralizado e poderoso, e, posteriormente, Iglesias foi escolhido secretário-geral.

Mas nos últimos meses, cada vez mais vozes dentro do partido contestaram sua liderança e estratégia.

A coalizão de esquerda Unidos Podemos conquistou 21,1% dos votos nas eleições gerais de junho, atrás dos conservadores do Partido Popular (PP) e dos socialistas.

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