Obama confrontou Putin sobre ciberataques

Washington, 17 dez 2016 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira que confrontou o presidente russo, Vladimir Putin, em relação à interferência nas eleições americanas de novembro passado, e sugeriu que poderá adotar represálias.

"Já disse e confirmo que isto ocorreu no mais alto nível do governo russo", declarou Obama sobre os ciberataques da Rússia que teriam por objetivo beneficiar o candidato Donald Trump.

Obama não atribuiu diretamente a Putin a decisão de interferir nas eleições, mas estimou que o líder russo sabe de quase tudo que ocorre neste nível.

O presidente americano relatou que confrontou Putin pessoalmente sobre os ciberataques russos, dizendo para ele "pare com isso".

"No começo de setembro, quando encontrei o presidente Putin na China, senti que a forma mais eficaz de garantir que aquilo não acontecesse era falar diretamente com ele e dizer-lhe para parar com aquilo e que haveria consequências sérias se não o fizesse", disse Obama.

"E de fato não vimos mais adulterações no processo eleitoral", acrescentou.

Apenas cinco semanas antes de deixar a Casa Branca, o presidente em fim de mandato prometeu retaliar Moscou pela ciberespionagem, que segundo a Inteligência americana foi planejada para ajudar o republicano Donald Trump a derrotar a democrata Hillary Clinton, crítica de Putin.

"Nosso objetivo continua sendo enviar uma mensagem clara à Rússia ou a outros a não fazerem isto porque podemos fazer coisas com vocês", alertou o presidente americano.

Obama acrescentou que para a Casa Branca, "é importante fazer isto de uma maneira planejada e metódica". "Algumas destas coisas fazemos publicamente, outras fazemos de modo que eles saibam e ninguém mais".

"Quando chegar o momento de adotar certas ações que possamos divulgar, vamos fazer isto", acrescentou o presidente americano.

O escândalo veio à tona em junho, quando CrowdStrike, uma empresa americana de segurança informática, revelou que dois grupos de hackers, Fancy Bear e Cozy Bear, tiveram acesso aos computadores do partido democrata.

O primeiro se infiltrou desde o verão de 2015 para interceptar todas as comunicações do partido, enquanto o segundo buscou e roubou, desde março de 2016, documentos relacionados a Donald Trump.

Para CrowdStrike, não há duvida. Cozy Bear está vinculado aos serviços militares russos de informação (FSB). Um mês depois dessas revelações, o WikiLeaks começou a publicar uma parte dos e-mails internos hackeados do partido democrata.

Em 7 de outubro, as 17 agências americanas de informação concluíram que a iniciativa de hackear foi organizado na Rússia. Em plena campanha eleitoral, foram sendo divulgados quase que diariamente e-mails de John Podesta, presidente da equipe de campanha de Hillary Clinton.

Segundo funcionários de Inteligência citados pela rede NBC, Putin se envolveu pessoalmente nos ciberataques para se vingar da candidata democrata, Hillary Clinton.

Dois altos funcionários de Inteligência afirmam que Putin deu instruções diretas sobre como filtrar e usar a informação hackeada dos democratas para atingir Clinton, que jamais perdoou por questionar, quando era secretária de Estado, a integridade das eleições parlamentares de 2011 na Rússia, e por instigar protestos nas ruas.

Trump declarou na quinta-feira que a Casa Branca tem intenções partidárias ao responsabilizar a Rússia pelos ataques de hackers contra sua adversária nas eleições.

"Se a Rússia ou outra entidade realizavam ataques informáticos, por que a Casa Branca esperou tanto tempo para reagir? Porque isto ocorre apenas após a derrota de Hillary Clinton"?!.

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