O questionado colégio eleitoral se prepara para confirmar Trump

Washington, 18 dez 2016 (AFP) - Os mais ferrenhos opositores de Donald Trump ainda sonha com uma reviravolta de último minuto, mas o colégio eleitoral, uma singularidade americana, deve designar na segunda-feira e quase sem nenhuma dúvida o empresário do setor imobiliário como o 45° presidente dos Estados Unidos.

Os críticos deste sistema eleitoral afirmam que vai contra o princípio "um homem, uma voz" e que seu efeito perverso é levar os candidatos à presidência a fazer campanha em uma quantidade limitada de estados, deixando de lado muitas áreas do país.

Apesar das críticas, este modo de votação, que data da Constituição de 1787, nunca foi modificado.

Quando compareceram às urnas em 8 de novembro, os americanos não escolheram diretamente o próximo ocupante da Casa Branca, e sim os 538 grandes eleitores que integram o colégio eleitoral, encarregados de votar para presidente.

Donald Trump conseguiu uma maioria tranquila no colégio eleitoral, de 306, apesar de sua rival democrata Hillary Clinton ter recebido mais votos nas urnas.

Cada estado tem um número determinado de grandes eleitores e o candidato que obtém a maioria de votos em um estado fica com todos os representantes no colégio eleitoral.

A situação não é uma novidade, pois já havia acontecido em 2000, quando George W. Bush derrotou Al Gore.

Na segunda-feira, os grandes eleitores se reunirão em cada um dos 50 estados do país para designar o presidente e seu vice.

- "Eleitores infiéis" -É muito raro que os grandes eleitores não acompanhem os resultados das urnas. E, nos poucos casos registrados, isto não foi sequer suficiente para mudar o nome do futuro ocupante do Salão Oval.

Parte do clã democrata, que vê na presidência de Trump um risco para a democracia, se agarra à esperança de que dezenas de republicanos abandonem o magnata populista. Neste caso, a Câmara dos Representantes ficaria responsável por designar o sucessor de Barack Obama. E o Partido Republicano também conta com maioria no Congresso.

Uma campanha conseguiu reunir quase cinco milhões de assinaturas e algumas estrelas de Hollywood, como Martin Sheen, o "presidente Bartlet" da série de TV "The West Wing", divulgaram um vídeo esta semana para reforçar a mobilização.

"Vocês têm o poder e a oportunidade de se tornarem heróis americanos que aparecerão nos livros como aqueles que mudaram a história", afirma a mensagem dirigida aos grandes eleitores, ilustres desconhecidos que de repente são observados de perto por todos.

Mas a iniciativa tem poucas chances de seguir adiante. Nada indica que o 'Grand Old Party' (GOP, como é chamado o Partido Repulicano) tenha 37 "eleitores infiéis" prontos para abandonar seu candidato.

Até o momento, apenas um deles, Christopher Suprun (Texas), anunciou publicamente que votaria contra Donald Trump.

Neste domingo, o futuro secretário de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, criticou duramente as organizações que "fazem tudo o que podem para desacreditar o resultado da eleição".

"Estamos convencidos de que tudo acontecerá sem choques", afirmou ao canal Fox News.

O resultado final pode não ser divulgado na própria segunda-feira, já que os estados dispõem de vários dias para comunicar seus números.

O Congresso anunciará o nome do presidente eleito em 6 de janeiro, após a apuração oficial dos votos.

Questionado sobre o tema na sexta-feira, após sua última entrevista coletiva do ano antes de viajar de férias ao Havaí, o presidente Barack Obama afirmou que o sistema eleitoral indireto é "um vestígio do passado, a herança de uma visão antiga do funcionamento de nosso governo federal".

Donald Trump, no entanto, mudou radicalmente de opinião sobre o tema em quatro anos.

"O colégio eleitoral é um desastre para a democracia", escreveu no Twitter em novembro de 2012.

"O colégio eleitoral é algo genial, permite que todos os estados, inclusive os menores, desempenhem um papel", escreveu dias depois de sua vitória surpreendente em 8 de novembro.

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