Colégio Eleitoral se reúne para confirmar vitória de Trump

Washington, 19 dez 2016 (AFP) - Os 538 integrantes do Colégio Eleitoral americano começaram a votar nesta segunda-feira em seus respectivos estados para declarar formalmente Donald Trump vencedor das eleições, enquanto críticos do bilionário se atêm a um fio de esperança de que uma revolta do colegiado possa barrar seu acesso à Casa Branca.

O resultado oficial desta votação será anunciado pelo Congresso em 6 de janeiro de 2017.

No início da sessão, os dez eleitores do estado do Wisconsin votaram em Trump, conforme previsto, embora na parte externa do edifício onde estavam reunidos, um grupo de manifestantes gritava "Vergonha! Vergonha!".

Também sem qualquer surpresa, os sete eleitores do estado do Oregon votaram em Hillary Clinton.

Normalmente, este passo é uma formalidade adotada por uma instituição obscura no processo eleitoral americano, e tende a passar despercebida. Mas não desta vez.

A surpreendente vitória do republicano Donald Trump sobre a democrata Hillary Clinton deixou o país dividido. A isso, soma-se o alvoroço provocado pelas revelações de que a Rússia teria lançado um ciberataque contra os democratas durante a campanha presidencial para favorecer Trump nas eleições.

Consequentemente, pela primeira vez, as pessoas estão prestando muita atenção na votação do Colégio Eleitoral.

Quando os americanos votaram em 8 de novembro, não elegeram seu futuro presidente diretamente, função esta exercida pelos 538 grandes eleitores (ou delegados) encarregados de transformar seus desejos em realidade.

Trump conquistou uma clara maioria desses grandes eleitores - 306, quando são necessários 270 para ser eleito -, mas perdeu para Hillary na votação popular por quase três milhões de votos.

Nesta segunda-feira, os grandes eleitores - a maioria dos quais é de membros de partidos sem reconhecimento nominal - se reúnem em cada estado e no distrito de Columbia para designar oficialmente os próximos presidente e vice-presidente dos Estados Unidos.

Na maioria dos estados, os grandes eleitores devem votar em qualquer candidato que tiver vencido a votação popular em seu estado.

Para evitar que Trump chegue à Presidência, ativistas democratas precisariam convencer pelo menos 37 eleitores republicanos a abandonar seu candidato.

Petição on-lineO eleitor republicano do Texas Christopher Suprun afirmou publicamente que não votará em Trump, argumentando que ele não está qualificado para ser presidente. Como exemplo, ele cita o conflito de interesses entre a administração dos negócios do magnata no exterior e a chefia de Estado.

Em entrevista hoje à rede MSNBC, Suprun disse ter entrado em contato com outros eleitores para tentar convencê-los a se juntar a ele. Trata-se - afirmou - de uma questão de princípios.

Além da questão dos negócios, Suprun disse que Trump "parece ser um demagogo na forma como nos divide e, na minha opinião, ele não é adequado para garantir nossa segurança nacional perante os governos estrangeiros".

Uma petição on-line solicitando aos grandes eleitores que rejeitem Trump obteve cinco milhões de apoiadores. Astros de Hollywood, como Martin Sheen, divulgaram um vídeo recentemente com o objetivo de incentivar os grandes eleitores a descartar Trump.

Não há, até agora, evidências de que um número suficiente de eleitores republicanos vá fazê-lo.

E, mesmo que Trump perca na votação do Colégio Eleitoral, caberá à Câmara de Representantes - controlada pelos republicanos - designar o sucessor do presidente Barack Obama.

Os estados têm vários dias para informar seus números, e o Congresso anunciará o nome do vencedor duas semanas antes da posse do novo presidente.

Democratas divididosOs supostos ciberataques russos que muitos democratas dizem ter sido o golpe de misericórdia na campanha de Hillary Clinton adicionaram um tom dramático à votação do Colégio Eleitoral.

Dez eleitores - nove democratas e um republicano - escreveram uma carta aberta ao diretor do Escritório de Inteligência Nacional, James Clapper, solicitando um briefing de Inteligência sobre a questão antes de votar.

A resposta foi "não", informou o delegado democrata Clay Pell, de Rhode Island, um dos signatários da carta.

Assim, os grandes eleitores de Rhode Island vão apelar ao Congresso nesta segunda-feira para que seja realizada uma investigação sobre o ciberataque "para assegurar que o povo americano tenha toda a informação sobre essa intervenção estrangeira sem precedentes nas nossas eleições".

O futuro chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Preibus, disse à Fox News neste domingo que a pressão para que o Colégio Eleitoral não eleja Trump "se trata de os democratas serem incapazes de aceitar o resultado das eleições. Trata-se de deslegitimar o sistema [eleitoral] americano".

O próprio Trump fez suas considerações no Twitter.

"Se meus muitos apoiadores agissem e ameaçassem pessoas como aqueles que perderam as eleições estão fazendo, eles seriam rejeitados e chamados de nomes horríveis!", tuitou.

Mas nem todos os democratas apoiam levar os delegados republicanos a rejeitar Trump.

"Embora eu compartilhe profundas preocupações sobre a eleição e & @realDonaldTrump, a maioria dos [grandes] eleitores seguirá os estados & deve fazê-lo. Reverter [o resultado] dividiria o país ao meio", escreveu, também no Twitter, o ex-assessor do presidente Obama, David Axelrod.

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