FMI mantém 'plena confiança' em Lagarde, apesar de condenação na França

Washington, 20 dez 2016 (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou, nesta segunda-feira (19), sua "plena confiança" na capacidade de Christine Lagarde para continuar à frente da instituição, apesar de sua condenação na Justiça francesa.

O comitê-executivo do FMI se reuniu depois que um tribunal na França condenou Lagarde por negligência em um caso com fundos públicos ocorrido em 2008. Na época, ela era ministra das Finanças no país. Apesar da condenação, nenhuma pena foi aplicada à ré.

Christine Lagarde disse que não vai apelar da decisão da Justiça.

Em nota, o FMI declarou que "o comitê-executivo reafirma sua plena confiança na capacidade de sua diretora-gerente para continuar cumprindo suas tarefas".

Além disso, completa o texto, o comitê deseja continuar trabalhando com Lagarde nos "difíceis desafios da economia mundial".

A justiça francesa declarou Lagarde culpada de "negligência" por permitir um enorme desvio de fundos públicos quando era ministra da Economia, mas a dispensou de cumprir pena.

"Preferíamos uma absolvição pura e simples (...) mas é preciso compreender que a Corte decidiu não condenar Lagarde a qualquer pena", comentou seu advogado, Patrick Maisonneuve.

Ex-ministra francesa da Economia entre 2007 e 2011, Lagarde não compareceu para ouvir a leitura da decisão do Tribunal de Justiça da República (CJR) em Paris, uma instância híbrida, semi-política semi-judiciária, única habilitada a julgar ministros e ex-ministros franceses por atos cometidos durante o exercício de suas funções.

Christine Lagarde, ex-advogada internacional de 60 anos, corria o risco de até um ano de prisão e 15.000 euros de multa.

Ela não compareceu no tribunal para ouvir a leitura da decisão, porque está em Washington "por razões profissionais", segundo seu advogado.

Durante seu julgamento, Lagarde tirou uma licença do FMI, onde deverá ser reconduzida para um segundo mandato.

Na sexta-feira, Lagarde assegurou ter agido "com o único objetivo de defender o interesse geral".

O governo francês assegurou nesta segunda-feira que mantém "toda a sua confiança" na diretora. "Christine Lagarde exerce seu mandato ao FMI com sucesso e o governo mantém toda a sua confiança em sua capacidade de exercer suas responsabilidades", assegurou o ministério da Economia e das Finanças em um comunicado.

'Reputação'Em 2007, quando era ministra da Economia de Nicolas Sarkozy, Christine Lagarde validou a decisão de recorrer a uma arbitragem privada para resolver um antigo conflito entre o empresário Bernard Tapie e o banco público Crédit Lyonnais, contra o critério de um órgão consultivo.

Um ano depois, Lagarde recusou-se a apelar da sentença deste órgão, que depois foi anulada por fraude, na qual concedeu a Tapie mais de 400 milhões de euros em compensação, procedentes de recursos públicos, inclusive 45 milhões de euros por danos morais.

Posteriormente, a arbitragem foi considerada fraudulenta. Anulada em 2015, ele é alvo de uma investigação criminal por "desvio de fundos públicos" e "fraude", em um caso distinto daquele contra a diretora do FMI.

Os investigadores condenaram Lagarde de ter delegado a seus colaboradores várias decisões sobre esta arbitragem e ignorado os alertas de alguns serviços do ministério da Economia e apesar do valor exorbitante atribuído a Bernard Tapie.

No final, "o delito de negligência se constituiu sobre a questão do não recurso", indicou seu advogado nesta segunda-feira. "Nós não a acusamos de ter autorizado a arbitragem, mas simplesmente por não ter exercido um recurso de anulação", disse Maisonneuve.

Apesar desta culpabilidade, o Tribunal considerou que a "personalidade" da chefe do FMI e sua "reputação internacional", bem como o fato de ela estar lutando a época dos fatos contra uma "crise financeira mundial", argumentavam em seu favor e justificaria isenção de pena.

Durante o julgamento, Lagarde sugeriu que estava ocupada com a crise financeira de 2008 e que tinha seguido o conselho de seus conselheiros "neste caso de arbitragem", que "não era uma prioridade". "O risco de fraude escapou-me completamente", ela havia reconhecido.

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