Andrei Karlov, o diplomata veterano que melhorou as relações com a Turquia

Moscou, 20 dez 2016 (AFP) - O embaixador da Rússia na Turquia, Andrei Karlov, assassinado na segunda-feira em Ancara, era um diplomata experiente que contribuiu para melhorar as relações entre Ancara e Moscou depois de fortes turbulências.

O diplomata de 62 anos foi destinado à Turquia em 2013, quando os dois países tentavam reforçar suas relações comerciais, apesar de suas profundas divergências em torno da guerra na Síria.

Em novembro de 2015, as relações entre os dois países se deterioraram quando um caça-bombardeiro turco derrubou um avião de combate russo na fronteira síria, um ato classificado por Moscou de "punhalada pelas costas".

Sete meses depois, o presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, começaram a aplacar as divergências.

A porta-voz do ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, classificou na segunda-feira o assassinato do diplomata de "dia trágico na história do nosso país e do nosso serviço diplomático".

"Fiz o que pude para resolver a crise nas relações turco-russas, desencadeada há um ano por estes acontecimentos trágicos", explicou, acrescentando que Karlov "nos últimos anos concentrou a maior parte de seus esforços na busca por uma solução na Síria e na estabilidade na região".

O suposto assassino do diplomata, um policial turco, foi filmado enquanto gritava "Aleppo" e "Allahu Akbar" depois de ter atirado no embaixador durante a inauguração de uma exposição artística em Ancara, um ato considerado terrorista por Moscou.

A Rússia apoia militarmente em Aleppo o regime de Bashar al-Assad, e a Turquia defende a oposição que tenta derrubá-lo desde 2011.

Nesta terça-feira foi realizada em Moscou uma reunião entre os ministros das Relações Exteriores e de Defesa russos, turcos e iranianos.

Antes de seu posto em Ancara, Karlov, que também falava coreano e inglês, passou na península coreana boa parte de sua carreira, iniciada sob a era soviética. Desempenhou cargos nas duas Coreias; foi embaixador em Pyongyang de 2001 a 2006. A Rússia é um dos poucos países a manter relações relativamente boas com a Coreia do Norte.

Era casado e tinha um filho.

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