EUA: Justiça denuncia ex-gestores municipais por crise hídrica em Flint

Chicago, 20 dez 2016 (AFP) - Promotores dos Estados Unidos apresentaram na terça-feira acusações contra altos funcionários no âmbito da investigação sobre a água contaminada na cidade de Flint, no meio-oeste do país.

Darnell Earley e Gerald Ambrose, que eram encarregados das finanças e da administração da cidade de Michigan na época da contaminação da água, são acusados de três crimes graves e uma contravenção por supostamente pedir dinheiro emprestado sob falsos pretextos em nome de Flint e forçar uma mudança na fonte de abastecimento de água da cidade como parte do esquema de financiamento.

A mudança para a água do rio Flint, mais corrosiva, em abril de 2014, e seu tratamento inadequado provocou uma reação nas antigas tubulações de chumbo da cidade, liberando o metal tóxico, que envenenou milhares de crianças. Doze pessoas morreram de doença do legionário após a contaminação, informaram as autoridades.

Earley e Ambrose podem ser condenados a até 46 anos de prisão.

Ao anunciar as acusações em uma coletiva de imprensa, o procurador-geral de Michigan, Bill Schuette, disse que o caso é "um grande exemplo de o dinheiro [colocado] acima das pessoas".

A "fixação (com as finanças) veio às custas de proteger a saúde e a segurança do povo de Flint", acrescentou.

Para destacar seu ponto, Schuette disse que uma solução de tratamento no valor de US$ 200 por dia teria evitado a contaminação com chumbo.

Earley e Ambrose eram gestores de emergência, nomeados pelo governador do estado para administrar as finanças de Flint. Eles são acusados de usar falsos pretextos para pegar US$ 85 milhões emprestados para um projeto de obras públicas.

Como parte desse acordo, eles supostamente pressionaram trabalhadores municipais para trocar a fonte de abastecimento de água de Flint e usar a estação de tratamento de água da cidade para fornecer água potável, mesmo depois de terem sido avisados de que isto não poderia ser feito de maneira segura.

Outros dois ex-executivos municipais, Howard Croft e Daugherty Johnson, também foram acusados de dois crimes graves cada um por supostamente ajudar no esquema. Eles ignoraram avisos e resultados de testes que sugeriram que a água não era segura, de acordo com os promotores.

As últimas acusações elevaram para 13 o número total de funcionários antigos e atuais do governo envolvidos em processos criminais. Um deles aceitou um acordo para colaborar com a investigação.

O procurador-geral do estado também processou duas empresas de engenharia hídrica, a empresa francesa Veolia e a Lockwood, Andrews & Newnam, com sede no Texas, alegando que elas não conseguiram evitar ou resolver adequadamente a crise. As duas empresas negaram as acusações.

A investigação, que já dura um ano, continua subindo até altos escalões do governo, disse o investigador-chefe, Andrew Arena. "Vamos continuar seguindo as provas".

Uma vez que os gestores de emergência acusados hoje foram nomeados pelo governador de Michigan, Rick Snyder, há dúvidas crescentes sobre se o gabinete do governador pode ser envolvido na investigação.

"Esta é uma investigação ampla e abrangente", disse Schuette em resposta a esta questão. "Aqueles que violaram a lei serão responsabilizados".

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