Franceses criam ostra espiã para combater o roubo em criadouros

Boufféré, França, 20 dez 2016 (AFP) - Com sua casca azul e cinza em relevo, ela parece uma ostra de verdade. No entanto, é feita de plástico e dotada de uma placa eletrônica e de um emissor que alerta em caso de movimento.

Trata-se do "Flex Spy", um falso molusco espião criado na França, que entra em criadouros de ostras para combater o roubo.

Saída da linha de produção da ASM Seriplast, em Boufféré (oeste da França), a versão mais recente desta "ostra mistério" ainda é "um pouco cinza demais" na opinião de Jean-Michel Dilé, um dos gestores desta empresa especializada na fabricação de peças tecnológicas de plástico.

A pequena empresa Flex-Sense começou a comercializar em setembro estes falsos moluscos de plástico, cuja eficácia foi testada no Vietnã.

Os primeiros protótipos já estão sendo utilizados em alguns viveiros de ostras e mexilhões da França, e sua implantação em maior escala, particularmente na bacia de Marennes-Oléron, localizada na maior costa da Europa, está prevista para fevereiro.

Camuflada entre outras ostras, esta "delatora" surpreende o ladrão com a mão na massa - ou, neste caso, na água.

Completamente impermeável, a placa eletrônica no interior do molde de plástico é composta de "uma antena, um acelerômetro, um alarme sonoro e um modulador de frequência", explica Sylvain Dardenne, cofundador e diretor comercial da Flex-Sense.

Ativado como uma granada e lançado no meio do criadouro de ostras, este objeto conectado fica "dormindo" entre os moluscos verdadeiros e se desperta apenas se detectar um movimento suspeito. Neste caso, envia um alerta diretamente ao smartphone ou ao computador do ostricultor.

Econômica em energia e resistente à pressão, a ostra espiã pode ficar submersa por até 60 meses sem necessidade de recarga, "ou seja, vinte vezes mais que qualquer localizador GPS", destaca Dardenne.

Cavalo de TroiaA ostra espiã nasceu a partir de uma necessidade dos profissionais do setor, que precisavam de um dispositivo de luta contra o roubo de moluscos, que se torna mais frequente com a proximidade das festas de final de ano.

Apesar dos roubos de ostras não representarem "grande coisa" em termos de volume - dezenas de toneladas são roubadas por ano na França, sobre as quase 100.000 toneladas produzidas -, "isso representa muito para o profissional afetado, que já enfrenta dificuldades para se recuperar dos episódios de alta mortalidade desde 2008", explica Gérald Viaud, ostricultor no departamento francês de Charente-Maritime (Atlântico) e presidente do Comitê Nacional de Conquilicultura.

O roubo é "um verdadeiro problema" para a profissão, que está "sempre em busca de soluções". Desde câmaras de vigilância até patrulhas da Gendarmeria por terra, mar e ar, "todo tipo de recursos são imaginados", indica Viaud.

"Como não se pode monitorar todo o litoral (marítimo), é necessário inovar. A ostra conectada talvez não seja a solução ideal, mas sim um recurso a se explorar", acrescenta o ostricultor.

Discreta em relação à localização de suas antenas, a Flex-Sense afirma contar com "meia centena de clientes" atualmente na França, segundo Dardenne.

Mas a ostra espiã - cuja unidade é alugada por 10 euros por mês - é apenas um "cavalo de Troia" para a empresa, que deseja adaptar esta ferramenta antirroubo a outros setores da indústria, particularmente nos de construção e obras públicas.

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