México investiga origem de explosão que deixou 33 mortos

Tultepec, México, 22 dez 2016 (AFP) - Autoridades e especialistas em explosivos investigavam nesta quarta-feira, nos escombros do mercado especializado em fogos de artifício de Tulpetec, o maior do México, o que causou a explosão que matou 33 pessoas e deixou 59 feridos e quatro desaparecidos.

A explosão ocorreu às 14H50 locais (18H50 Brasília) de terça-feira no mercado de fogos conhecido como San Pablito, que estava lotado devido às festas de final de ano.

Centenas de policiais patrulhavam a área nesta quarta-feira, enquanto especialistas trabalhavam nos escombros em busca da origem da tragédia. Quatro pessoas seguem desaparecidas.

O número total de óbitos subiu no final do dia para 33, incluindo oito menores.

Dezoito corpos já foram reconhecidos pelos familiares, disse em coletiva de imprensa Jesús Manzur, secretário de governo do estado do México, ao qual pertence Tultepec.

A identificação dos outros 14 cadáveres pode levar "dias ou semanas", advertiu o procurador do estado, Alejandro Gómez, ao explicar que "em vista do nível de carbonização" dos corpos, será preciso obter um perfil genético.

As autoridades não descartam que os quatro desaparecidos estejam entre os 14 corpos não identificados, e realizarão análises genéticas com o auxílio de familiares.

Segundo Manzur, ainda há 59 feridos, dos quais 40 estão hospitalizados. Muitos estão em tratamento intensivo, com queimaduras de diferentes graus, mas apenas cinco se encontram em "estado de gravidade e com risco de vida".

A Igreja Católica mexicana divulgou uma carta firmada pelo cardeal secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, na qual o Papa Francisco expressa suas condolências pela tragédia.

"O Papa Francisco, invocando a maternal intercessão da santíssima Virgem Maria de Guadalupe, lhes envia de coração a confortadora benção apostólica, como sinal de esperança cristã no senhor ressuscitado".

Em choque"Visitem-nos! Abrimos todos os dias do ano. Contamos com todas as medidas de segurança", diz um grande letreiro na entrada do mercado.

Mas nesta quarta-feira, as mais de 300 barracadas destruídas estavam isoladas para o trabalho dos agentes da polícia e socorristas com uma fita amarela com a inscrição "Proibida a passagem".

Dezenas de peritos esquadrinhavam os escombros e grupos de trabalhadores removiam os destroços.

Um par de ambulâncias e dois carros de bombeiros foram enviados ao local. Também chegaram homens do exército, a autoridade encarregada de entregar as permissões de venda de fogos de artifício.

O presidente Enrique Peña Nieto lamentou os fatos em um ato público e pediu um minuto de silêncio, enquanto os moradores das proximidades do mercado, ainda chocados, contaram suas impressões à AFP.

"Pensei que a minha casa tivesse caído", disse, aliviado, Artemio Aguilar, enquanto recolhia pedaços de fogos na erva daninha que cerca sua casa simples.

Luis Hernández, um jovem de 26 anos que desde os 12 trabalha com fogos de artifício ao lado do mercado, achava que não sobreviveria.

"As pessoas corriam, as crianças gritavam, havia muita gente queimada que caminhava sem saber o que fazer e nós tampouco sabíamos o que fazer. Tínhamos medo de que seguissem as explosões", contou com o olhar fixo nas ruínas incendiadas.

A explosão foi registrada na terça-feira à tarde, num momento de grande movimentação em que havia grande atividade, com pessoas comprando fogos de artifício para as festas de final de ano.

Segundo as autoridades, 26 pessoas morreram no local e cinco em hospitais, enquanto que várias casas e carros próximos da área foram danificados pela onda expansiva.

Causas indeterminadasA Procuradoria Geral informou ter iniciado uma investigação para determinar as causas do acidente, que provocou "seis explosões de pirotecnia".

Mas segundo Gómez, as causas da tragédia ainda não foram esclarecidas.

"Não tenho, neste momento, uma hipótese (...) Nossa prioridade tem sido atender os feridos, o levantamento dos corpos e atender a emergência", afirmou.

Alguns moradores de Tultepec disseram à AFP que, aparentemente, alguém deixou cair um fogo de artifício com as dimensões de uma bola de tênis e que, ao ser aceso, ilumina o céu com círculos coloridos.

Outra hipótese é que um foguete acendeu em um local, provocando uma reação em cadeia.

Esta última teoria "não pudemos corroborar porque o local onde isto pode ter ocorrido, infelizmente a pessoa que atendia este local é um dos mortos", disse Gómez.

Segundo o funcionário, especialistas estaduais e federais realizarão várias perícias, entre elas de criminalística de campo, fotografia forense e perícia de acidentes, incêndios e explosivos.

Infelizmente, este mercado já viveu anos atrás este incidente.

Em 15 de setembro de 2005, um incêndio e explosões destruíram o San Pablito. No ano seguinte, outro acidente destruiu mais de 200 barracas.

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