Multidão chega a Belém para o Natal, marcado na Europa por segurança reforçada

Belém, Territórios palestinos, 24 dez 2016 (AFP) - Uma multidão comparecia neste sábado a Belém para as comemorações de Natal e para a tradicional missa do galo, à meia-noite, celebrações que na Europa serão realizadas sob um esquema de segurança reforçada.

Nesta cidade da Cisjordânia ocupada, cristãos, palestinos e estrangeiros se dirigiam para a praça do Pesebre, perto da Igreja da Natividade, construída no lugar onde a tradição cristã diz que nasceu Jesus de Nazaré.

Apesar da mobilização das forças de segurança palestinas nas ruas do centro de Belém e de uma chuva fina, o ambiente era muito mais festivo do que no ano passado.

O Natal de 2015 ocorreu em meio a uma onda de violência nos Territórios Palestinos e em Israel, que deixou 150 mortos em três meses, provocando uma queda no número de visitas a Belém.

Neste ano, os visitantes voltaram à cidade, segundo responsáveis do setor turístico.

Devotos e turistas tiravam fotos perto da árvore de Natal gigante montada na praça do Pesebre, com escoteiros palestinos que marchavam ao som de gaitas.

As celebrações em Belém culminam com a tradicional missa da meia-noite na Igreja da Natividade, com a presença de numerosos dignitários religiosos estrangeiros e representantes políticos palestinos, entre eles o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abas.

O padre italiano Pierbattista Pizzaballa, administrador apostólico do patriarcado latino de Jerusalém, celebrará a missa do galo.

Na Europa, por outro lado, o temor a possíveis atos de violência preocupava as autoridades, menos de uma semana depois de um extremista atropelar 12 pessoas com um caminhão em uma feira de Natal em Berlim, um ataque reivindicado pelo grupo Estado Islâmico.

Enquanto as polícias europeias buscavam cúmplices do tunisiano Anis Amri, suposto autor do ataque, morto na sexta-feira em Milão em uma troca de tiros com a polícia italiana, na Tunísia as autoridades anunciaram a detenção de três pessoas vinculadas a ele, entre elas seu sobrinho.

As medidas de segurança para os festejos de Natal foram reforçadas em várias cidades europeias, como nos arredores da catedral de Milão, principal atração turística da cidade.

Vigilância extrema na FrançaEm Berlim, moradores e turistas se reuniam nesta sábado na feira de Natal onde ocorreu o atentado. Muitos deles acendiam velas ou colocavam flores em memória das vítimas.

"É muito bom que haja tanta gente e que ainda esteja aberto", disse Marianne Weile, de 56 anos, de Copenhague.

Em sua mensagem de Natal, o presidente alemão, Joachim Gauck, pediu aos seus compatriotas que não "condenem de maneira geral um grupo de pessoas", referindo-se aos refugiados.

Em toda a França, foram mobilizados mais de 90.000 policiais, gendarmes e militares.

"Para as missas de Natal, as mais frequentadas (...) teremos não só uma presença policial, mas também uma capacidade de resposta quase imediata", disse o diretor da polícia francesa, Jean-Marc Falcone.

Na Síria, de onde vem grande parte dos refugiados acolhidos na Alemanha, a comunidade católica de Aleppo se preparava para celebrar a primeira missa em cinco anos na catedral maronita Santo Elias, na cidade velha, dois dias depois do anúncio do regime de Bashar al Assad da reconquista total dos bairros controlados pelos rebeldes na cidade.

A catedral tem parte do teto destruído e o solo repleto de escombros. O templo maronita mostra as marcas da guerra civil que destruiu parte desta cidade.

No vizinho Iraque, também imerso em um conflito violento contra o Estado Islâmico, os cristãos realizaram no sábado a primeira missa em uma igreja de Bartella desde a reconquista desta cidade próxima a Mossul, que estava nas mãos do grupo jihadista.

"Nossa mensagem é que fiquemos neste país, onde estão nossas raízes e nossas origens", disse o padre Saadi à AFP.

O patriarca caldeio Louis Raphael I Sako pediu a ajuda da comunidade internacional e chamou os cristãos do Iraque, que fugiram durante a ofensiva do Estado Islâmico em 2014, de volta para seus lares.

No domingo, o papa Francisco, líder espiritual de 1,2 bilhão de católicos no mundo, deve pronunciar sua tradicional benção "Urbi et Orbi" (à cidade de Roma e ao mundo) na varanda da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Nas Filipinas, um dos principais países católicos do mundo, uma explosão deixou 13 feridos nos arredores de uma igreja, na ilha de Mindanao, onde grupos rebeldes armados muçulmanos atuam.

As previsões metereológicas indicavam a chegada de um tufão ao arquipélago neste Natal.

sy-dms/pa.

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