Civis fogem dos combates na cidade iraquiana de Mossul

Mossul, Iraque, 1 Jan 2017 (AFP) - Em meio aos disparos de armas automáticas e aos helicópteros que atacam extremistas, mulheres e crianças correm aterrorizadas pelas ruas de Mossul para se esquivar das balas. Esta cidade do norte do Iraque se tornou um campo de batalha para os civis.

Muitos deles tentam fugir destes combates. Outros, mais audaciosos, inconscientes ou resignados, preferem se trancar em suas casas e colocar uma bandeira branca na porta para indicar que não estão envolvidos nos confrontos entre as forças iraquianas e o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Neste bairro do leste de Mossul, a segunda maior cidade do país, as hostilidades recomeçaram na quinta-feira, quando o exército e a polícia lançaram a segunda fase de sua operação destinada a tomar a cidade dos extremistas sunitas, que a controlam desde junho de 2014.

Várias crianças colocaram tudo o que podiam em sacos plásticos que carregam nas costas. Uma mulher chora enquanto se junta a uma multidão impressionante de civis. Todos se dirigem a ônibus da polícia que os levará a um lugar seguro.

"Havia mais famílias" na sexta-feira, constata o tenente-coronel Hisham Abdulkadhim, das forças de intervenção rápida do ministério do Interior, que coordena os deslocamentos dos civis.

As ONGs temem que a atroz batalha de Mossul obrigue mais de um milhão de civis a se deslocar. Desde o início da ofensiva, no dia 17 de outubro, 120.000 pessoas abandonaram seus lares.

Nas ruas é possível ouvir o som de armas e explosões. As forças de intervenção avançam rapidamente, mas precisam agir com a máxima prudência.

O EI envia terroristas suicidas em carros carregados com explosivos contra os soldados e policiais.

Um veículo Humvee do exército, equipado com mísseis anti-tanque, é encarregado de detectar estes carros-bomba. Junto dele, um trator desloca blocos de terra para frear os suicidas.

- 'Sinto como se voltasse a viver' -Os helicópteros sobrevoam a cidade e abrem fogo contra os extremistas, e eles respondem com disparos de pistolas ou armas automáticas.

Alguns civis, movidos pela curiosidade, abrem suas portas para ver o que está acontecendo, mas os soldados pedem rapidamente para que fiquem dentro de suas casas, protegidos.

O perigo está por toda parte, dos bombardeios aos disparos de artilharia e de foguetes.

Alguns dos habitantes que decidem permanecer em suas casas colaboram com as tropas em seu avanço.

"Há um carro-bomba atrás da mesquita", diz um policial depois de obter a informação de um morador do bairro. A partir de seu Humvee, um soldado percorre as ruas em busca do veículo, mas não encontra nada.

Enquanto isso, uma nova coluna de civis sai de um bairro vizinho.

Os extremistas nos expulsaram, explica assustada Karama Attiyah. "Eles se escondem em nossas casas", acrescenta.

Os membros das forças de intervenção rápida transferem os civis para um prédio com uma bandeira branca na fachada.

Pouco depois e repentinamente, após o barulho incessante de armas automáticas, é registrada uma relativa calma. As forças pró-governamentais atingiram seu objetivo na parte norte do bairro.

Para os civis que permaneceram em suas casas, a angústia dá lugar a uma breve tranquilidade e alguns deles se atrevem a sair às ruas.

As crianças, loucas de alegria, fazem o símbolo da vitória com as mãos.

"Esta é a primeira vez que saímos em três dias", diz Hasna Yassin. "Sinto como se voltasse a viver", completa.

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