Combates prosseguem e ameaçam trégua na Síria

Beirute, 1 Jan 2017 (AFP) - Os combates entre as forças do regime e os rebeldes prosseguiam neste domingo em várias frentes na Síria e podem colocar em risco a iniciativa russo-turca apoiada pela ONU para dar fim a quase seis anos de guerra.

Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, à zero hora de sexta-feira, a violência diminuiu de intensidade, mas não parou e deixou vítimas fatais. Por sua vez, os rebeldes acusam o regime de ter violado a trégua e ameaçam não respeitá-la mais.

Este cessar-fogo, o enésimo após o início da guerra, abre caminho para negociações de paz previstas para o final de janeiro no Cazaquistão sob a égide de Moscou e Teerã, que apoiam o regime, e da Turquia, pró-rebeldes.

No front norte, o governo lançou pela manhã ataques aéreos na localidade de Atareb, em território rebelde perto de Aleppo, algumas horas após a morte de duas crianças, vítimas de disparos do exército contra zonas rebeldes localizadas a oeste da cidade, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

No total, quatro civis e nove rebeldes morreram desde o início do cessar-fogo, que exclui os grupos extremistas Estado Islâmico (EI) e Fateh al-Sham, disse a ONG.

"São violações" da trégua, embora "imediatamente não pareça que possam provocar seu colapso", ressaltou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Na noite de sábado, os rebeldes dispararam uma série de morteiros contra as localidades pró-governamentais de Fua e Kafraya, na província de Idleb (noroeste). Em Tartus (oeste), controlada pelo regime, dois homens-bomba detonaram seus explosivos em uma barreira militar, matando dois soldados, segundo o OSDH.

- Fotos de vítimas em árvore -No Ghuta oriental, a leste de Damasco, que o poder tenta recuperar, ocorreram tiroteios entre os dois grupos beligerantes.

Para marcar a passagem do Ano Novo na localidade rebelde de Hamuriyé, na Ghuta, no sábado alguns militantes decoraram uma árvore com luzes e imagens de vítimas da guerra, constatou um fotógrafo da AFP.

Na região de Wadi Barada, próximo a Damasco, bombardeada pelo governo há 10 dias, também foram registrados novos ataques.

Lá se encontra uma das principais fontes de abastecimento para os quatro milhões de habitantes da capital e arredores. O governo acusa os rebeldes de terem "contaminado com diesel" o sistema de abastecimento de água, o que estes apontam como descuido ou negligência.

Assim como ocorreu nas outras tréguas, que entraram em colapso após alguns dias, a aliança dos grupos rebeldes com o Fateh al-Sham (ex-braço da Al-Qaeda) torna muito difícil a implementação de um cessar-fogo.

Muito debilitados, estes grupos rebeldes não podem se distanciar de seus companheiros de armas do Fateh al-Sham, uma organização mais bem equipada e armada, onipresente nas regiões que estão sob seu controle.

Já o EI, temido grupo responsável por atentados sangrentos na Síria e no exterior, atua sozinho nas regiões conquistadas no norte sírio e continua sendo alvo dos ataques de diferentes forças aéreas, como a russa, americana, turca e síria.

Para dar mais peso à sua iniciativa, a Rússia buscou e obteve o apoio - ainda que moderado - do Conselho de Segurança da ONU ao plano de cessar-fogo elaborado em conjunto com a Turquia.

Apoio moderado da ONUReunido em Nova York, o Conselho de Segurança aprovou no sábado uma resolução de compromisso, que "apoia os esforços da Rússia e da Turquia para acabar com a violência na Síria e lançar um processo político".

Mas se limitou apenas a "tomar nota" dos termos do acordo patrocinado por russos e turcos, lembrando a necessidade de aplicar "todas as resoluções pertinentes da ONU", citando a 2254 que prevê, por iniciativa de Washington, o estabelecimento de um mapa do caminho completo para a saída da crise.

Em plena transição política à espera da posse de Donald Trump, os Estados Unidos, que apoiam a oposição ao regime de Damasco, não se vincularam a esta última iniciativa, pela primeira vez desde o início da guerra, em março de 2011.

Por sua vez, é a primeira vez que a Turquia patrocina um acordo como este, graças a sua aproximação com a Rússia de Vladimir Putin, que quer aparecer como um artífice da paz após sua intervenção militar em apoio ao governo de Bashar al-Assad desde setembro de 2015.

As negociações de Astana precederão os diálogos previstos para fevereiro em Genebra, pois as discussões inter-sírias anteriores não permitiram um começo de solução ao conflito, que já causou mais de 310 mil mortes, milhões de refugiados e deslocados.

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