Mianmar investigará violência policial contra membros da minoria rohingya

Yangon, 2 Jan 2017 (AFP) - O governo birmanês anunciou nesta segunda-feira a abertura de uma investigação após a divulgação de um vídeo no qual policiais apareciam espancando membros da minoria rohingya, reconhecendo pela primeira vez os possíveis excessos no noroeste do país.

Nas últimas semanas, 50.000 muçulmanos rohingyas fugiram de uma operação do exército birmanês lançado em resposta ao ataque de postos fronteiriços desta região por grupos de homens armados.

Ao chegar a Bangladesh, estes refugiados descreveram terríveis atrocidades cometidas contra eles pelo exército, de estupros coletivos a torturas e assassinatos.

Até agora, o governo havia negado estas alegações considerando que a situação estava "sob controle" e pedindo à comunidade internacional que parasse de alimentar "o fogo do ressentimento".

Pela primeira vez desde as primeiras denúncias, em outubro passado, o governo mudou seu discurso e se comprometeu a tomar medidas "contra a polícia que teria espancado aldeões em operações de desminagem no dia 5 de novembro na aldeia de Kotankauk", segundo um comunicado do executivo divulgado pelos meios de comunicação oficiais.

As imagens de vídeo mostram agentes pegando um jovem detido junto a dezenas de outras pessoas, sentadas no chão, com as mãos na cabeça.

Em seguida, três oficiais aparecem espancando com um pau um dos homens no chão e dando tapas em seu rosto.

Dezenas de vídeos foram divulgados desde outubro nas redes sociais, mas o acesso à região é proibido aos meios de comunicação, especialmente internacionais, e às ONGs, razão pela qual as informações são dificilmente verificadas.

Na semana passada, mais de uma dezena de premiados com o Nobel da Paz escreveram ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para pedir uma intervenção e evitar esta "tragédia humana, limpeza étnica e crimes contra a humanidade".

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, classificou em dezembro a reação do governo birmanês de "contraproducente e insensível".

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