O que se sabe sobre o atentado contra a boate Reina, em Istambul

Istambul, 2 Jan 2017 (AFP) - O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou o atentado contra a badalada boate Reina, em Istambul, durante a noite de Réveillon, com um balanço de 39 mortos e 69 feridos.

O autor da chacina continua sendo procurado pelas autoridades.

- O ataque -À 01h25 de domingo (20h15 de sábado, hora de Brasília), uma pessoa armada com um fuzil apareceu diante da boate Reina, no coração de Istambul, e abriu fogo contra as pessoas que estavam na entrada, segundo o governador do Istambul, Vasip Sahin.

Depois de entrar na boate, o atirador disparou aleatoriamente contra a multidão.

- O agressor -A matança foi reivindicada nesta segunda-feira pelo grupo radical Estado Islâmico (EI), que em um comunicado assinalou que o agressor era "um dos soldados do califado".

As autoridades turcas se lançaram à caçada do atirador, que "aproveitando o caos" gerado na discoteca conseguiu fugir, segundo o primeiro-ministro Binali Yildirim.

Yildirim desmentiu as informações da imprensa de que o autor da matança estava fantasiado de Papai Noel e acrescentou que ele abandonou a arma no local do crime.

Algumas testemunhas afirmaram ter ouvido o agressor falar em árabe, mas as autoridades ainda não confirmaram esta versão.

O jornal Hürriyet, por sua vez, informou que o autor do massacre pode ser originário de um país da Ásia Central, Quirguistão ou Uzbequistão.

- O local -A boate Reina é uma emblemática casa noturna de Istambul, localizada em Ortaköy, um bairro do distrito de Besiktas, no lado europeu da cidade.

De acordo com a agência de notícias turca Dogan, ao menos 700 pessoas se reuniam na discoteca para comemorar a chegada do Ano Novo.

A boate Reina é um lugar exclusivo, de difícil acesso, e está situada a poucas centenas de metros do espaço onde ocorriam as celebrações oficiais do Ano Novo, às margens do Bósforo.

- O contexto -Nos últimos meses, a Turquia sofreu muitos atentados atribuídos ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) ou vinculados à rebelião separatista do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que atingiram principalmente Istambul e Ancara.

Depois de um ano de 2016 sangrento, as autoridades turcas haviam anunciado a mobilização de 17.000 policiais na metrópole por ocasião das celebrações do Ano Novo.

Integrante da coalizão internacional que combate o grupo EI na Síria e no Iraque, a Turquia iniciou em agosto uma ofensiva no norte da Síria para repelir os extremistas e empurrá-los para o sul, mas também contra as milícias curdas sírias.

Rebeldes sírios apoiados pelo exército turco cercam há várias semanas a cidade de Al Bab, um reduto do EI no norte da Síria.

Em resposta a estas operações militares, o grupo EI ameaçou em várias ocasiões atacar a Turquia, que se tornou um dos principais alvos dos extremistas.

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