Termina interrogatório de Netanyahu sobre 'presentes ilegais'

Jerusalém, 3 Jan 2017 (AFP) - A Polícia israelense interrogou nesta segunda-feira (2), durante três horas, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, suspeito de receber "presentes ilegais" - informou um porta-voz policial ao final do depoimento.

"Não podemos dar qualquer detalhe neste momento", disse o policial ao final do interrogatório, ocorrido na residência de Netanyahu.

O Ministério da Justiça confirmou que Netanyahu foi interrogado pela unidade "Lahav 443" da Polícia de Combate à Corrupção.

Netanyahu é "suspeito de ter recebido presentes de empresários", segundo o Ministério, confirmando pela primeira vez as informações da imprensa nesse sentido.

De acordo com o Ministério da Justiça, informações de que o primeiro-ministro ganhou passagens para viajar ao exterior "de maneira sistemática" por parte de pessoas com dinheiro, que também lhe deram presentes, não provocaram "uma suspeita razoável de crime, que justifique a abertura de uma investigação judicial".

Em sua página do Facebook, Netanyahu negou todos os fatos e acusou seus opositores políticos e alguns meios de comunicação de quererem "fazê-lo cair não em eleições, como prevê a democracia", mas com uma campanha contra ele.

No início da reunião do Likud no Knesset (Parlamento), cujo link de transmissão foi postado em sua página no Facebook, o premiê disse que "não terá nada, porque não há nada".

"Ouvimos as informações (que circulam) na imprensa. Vemos (...) o clima e o espírito festivo nos estúdios de televisão e nos corredores da oposição", acrescentou Netanyahu.

"Quero lhes dizer que esperem para as comemorações. Não se precipitem", ironizou.

A legislação israelense prevê que qualquer membro do governo, contra o qual pese uma acusação de corrupção deve renunciar.

De acordo com a imprensa, empresários israelenses e estrangeiros teriam oferecido a Netanyahu presentes de um valor estimado em várias dezenas de milhares de dólares.

Se os fatos se confirmarem, o primeiro-ministro pode ser acusado de "abuso de confiança".

A imprensa também fala de um segundo caso que pode abrir caminho para acusações mais graves de corrupção, mas não divulgou mais detalhes.

'Campanha de provocação'Em entrevista à rádio militar nesta segunda, o ministro de Cooperação Regional, Tzahi Hanegbi, ligado a Netanyahu, denunciou "uma campanha de provocação e de incitação planejada pela imprensa", cujo objetivo é pressionar o procurador-geral, Avishai Mandelblit, a autorizar a Polícia a interrogá-lo.

Designado com apoio de Netanyahu, Mandelblit foi criticado por ter arrastado o caso durante meses.

Durante oito meses, a Polícia esteve investigando o caso em segredo. Os interrogatórios de cerca de 50 testemunhas permitiram, recentemente, obter um "avanço decisivo".

Entre as pessoas interrogadas está Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial e membro da família fundadora do grupo cosmético americano Estée Lauder. Foi interrogado em 30 de setembro, quando assistiu, em Israel, ao enterro do ex-presidente Shimon Peres.

Em novembro, o procurador ordenou a abertura de uma investigação sobre alegações que sugeriam uma conduta irregular de uma pessoa próxima de Netanyahu na compra de três submarinos alemães por parte de Israel.

O premiê anterior, Ehud Olmert, cumpre desde fevereiro de 2016 uma pena de 19 meses de prisão, depois de aceitar suborno. Em 1999, o atual ministro do Interior, Arye Deri, chefe do Shass, um partido ultraortodoxo, foi condenado a três anos de prisão por corrupção.

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