Republicanos abandonam reforma do comitê de ética após crítica de Trump

Washington, 4 Jan 2017 (AFP) - Os legisladores do Partido Republicano retrocederam nesta terça-feira em sua decisão de retirar os poderes do comitê encarregado de investigar os atropelos éticos dos membros do Congresso, após o presidente eleito Donald Trump criticar a medida.

A bancada republicana havia adotado na noite de segunda-feira (feriado nos Estados Unidos) uma modificação no regulamento interno do comitê, que na prática o tornava ineficiente para investigar a conduta dos legisladores.

Mas a "emenda foi retirada (...) de forma unânime", disse à AFP um assessor da liderança republicana.

A polêmica durou apenas algumas horas, mas ilustrou como Trump - que chegou à Casa Branca atacando o status quo em Washington - pretender manter sua independência diante dos aliados republicanos no Congresso.

Segundo a reforma abortada, o Comitê de Ética, criado em 2008, seria rebatizado e perderia sua condição de órgão independente, ficando nas mãos dos próprios legisladores, que teriam o poder de encerrar as investigações em andamento.

Os republicanos se queixavam que as investigações realizadas pelo comitê não respeitavam a presunção de inocência.

Grupos defensores da transparência e membros do partido Democrata denunciaram imediatamente a reforma, e o tiro de misericórdia partiu de Trump.

"Com tudo o que este Congresso precisa fazer, será que realmente deve debilitar este organismo ético independente, por mais injusto que seja, em sua primeira medida?!" - questionou Trump no Twitter.

Trump, que assumirá a presidência em 20 de janeiro, sugeriu aos legisladores: "Concentrem-se na reforma fiscal, no sistema público de saúde e em muitas outras coisas que são mais importantes".

A líder da bancada do Partido Democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, declarou que a ética "é a primeira vítima do novo Congresso" de maioria republicana, que se instala nesta terça-feira.

"Os republicanos dizem que querem drenar o pântano em Washington, mas às vésperas da posse do novo Congresso eliminaram o único organismo de supervisão ética independente", denunciou Pelosi.

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