Soldado israelense que matou palestino é considerado culpado de homicídio

Tel Aviv, 4 Jan 2017 (AFP) - Um soldado israelense que matou um palestino ferido, quando estava caído no chão e sem representar nenhuma ameaça aparente, foi declarado culpado de homicídio nesta quarta-feira depois de um julgamento que dividiu profundamente a opinião do país.

Os três juízes levaram semanas para pronunciar a pena. O julgamento contra o soldado Elor Azaria em um tribunal militar começou em maio e, durante este tempo, inúmeros políticos conservadores defenderam sua ação, apesar de altas patentes militares condenarem o crime.

O caso do sargento Elor Azaria, que tinha 19 anos no momento dos fatos, em março de 2016, levanta a questão do respeito aos valores éticos do exército frente aos frequentes ataques palestinos.

Em frente ao tribunal, dezenas de jovens partidários do soldado entraram em confronto com as forças de ordem. Duas pessoas foram detidas, segundo a polícia. "O povo de Israel não deve abandonar um de seus soldados no campo de batalha", proclamava um cartaz.

O caso Azaria opôs o Estado-Maior, que defende os ideais militares e pressionou para que o julgamento fosse realizado, a grande parte da direita e figuras políticas importantes.

"Este julgamento nunca deveria ter acontecido", declarou a ministra da Cultura Miri Regev. Elor Azaria é "nosso filho, nossa criança", acrescentou ela, considerando que ele deveria ter sido alvo de medidas disciplinares dentro da sua unidade.

Antes de se tornar ministro da Defesa, Avigdor Lieberman expressou seu apoio ao soldado, assistindo ao início de seu julgamento. Agora, ocupando um dos cargos governamentais mais importantes, afirmou não gostar do julgamento, mas preconizou o respeito e "moderação". "Peço aos políticos para parar de atacar os chefes dos serviços de segurança, o exército e seu chefe de Estado-Maior", disse ele.

- Linhas de defesa derrubadas - Nesta quarta, Azaria foi saudado por aplausos e abraços calorosos ao chegar, uniformizado, com um largo sorriso em seu rosto contorcido, na sala do tribunal, na presença de muitos parentes, inclusive sua mãe.

Ele parecia tenso durante as quase três horas de leitura do julgamento pelo presidente do tribunal, o coronel Maya Heller.

Um vídeo feito por um militante palestino de uma organização de defesa dos direitos humanos, e difundido nas redes sociais, mostra Azaria conversando com outro soldado antes de apontar para Abdel Fattah al Sharif em Hebron, na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israek.

O palestino de 21 anos acabava de atacar com uma faca, junto a outro palestino, alguns militares. Ferido a bala, estava caído no chão e parecia não representar qualquer perigo quando Azaria atirou contra ele. Seu cúmplice aparentemente já estava morto.

O caso parece ser um dos mais flagrantes de uso excessivo da força, que as forças israelenses são regularmente acusadas vis-à-vis os palestinos.

O jovem soldado, cercado por sua família nas audiências que se estenderam ao longo dos meses, afirma não ser culpado.

Ele pensou que o palestino escondida sob suas roupas um cinto de explosivos, explicou seus advogados.

Eles também argumentam, contra as conclusões da autópsia, que o palestino já estava morto quando o sargento disparou.

A presidente do tribunal, no entanto, derrubou uma por uma as linhas de defesa dos advogados de Elor Azaria. Ela manteve os testemunhos segundo os quais o soldado teria dito no local que o palestino merecia morrer. Elor Azaria sabia o que estava fazendo, ela disse, acrescentando que o palestino morreu "desnecessariamente".

bur-lal/jri/mr

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