Discrição na saída britânica da UE

Londres, 5 Jan 2017 (AFP) - Com a eleição de Tim Barrow como novo embaixador britânico na União Europeia, o governo rejeitou os pedidos de eleger um partidário do Brexit e se inclinou por um diplomata tradicional e despolitizado.

Com um mandato de quatro anos, Barrow será o representante encarregado de arriar a bandeira britânica do clube europeu e substitui Ivan Rogers, cuja demissão acompanhada por críticas gerou mal-estar de altos funcionários britânicos, que, como ele, percebem a falta de estratégia do governo de Theresa May em relação ao Brexit e se sentem forçados a demonstrar beligerância nas negociações.

Barrow, de 52 anos, entrou no Foreign Office em 1986. Foi embaixador em Kiev (2006-2008) e em Moscou (2011-2015) e se familiarizou com as questões de Bruxelas como secretário do embaixador (1996-1998) e representante britânico no Comitê de Segurança da UE (2008-2011).

"É uma honra ser nomeado representante permanente na UE neste momento crucial. Estou ansioso para me juntar à equipe em Bruxelas para assegurar-nos de que conseguiremos o melhor resultado para o Reino Unido ao abandonar a UE", disse Barrow no comunicado oficial, anunciando sua nomeação.

Casado e com quatro filhos, Barrow, que ostenta o título de Sir, é um clássico produto da Universidade de Oxford, de aspecto senhorial e barba bem aparada. Segundo o jornal The Times desta quinta-feira, ele desconfia dos computadores e imprime tudo o que lê.

O mesmo jornal citou Denis MacShane, que foi secretário de Estado para Europa de Tony Blair, para descrever Barrow "como uma das pessoas mais amáveis e menos vaidosas" da administração.

Entre as críticas, se diz que ele é especialista em temas de segurança, os que menos pesarão nas negociações de ruptura.

Barrow "é alguém que conhece Bruxelas e conhece a diplomacia. Mas não é certo que esteja familiarizado com temas técnicos, os que serão tratados. É certamente um especialista em Ucrânia e Rússia, mas isso não é o que se vai negociar", disse à AFP, sob anonimato, uma fonte diplomática em Bruxelas.

- 'Fará o que disserem' -Um antigo diplomata em um posto em Bruxelas que conheceu Barrow disse à AFP que é "amigável, bem disposto, sucinto e confiante. Negocia bem, e pode ser duro quando necessário".

Ao escolher um diplomata tradicional, May garante uma pessoa fiel em Bruxelas.

O Financial Times afirmou que se trata de um funcionário sem posições políticas conhecidas que "fará o que disserem".

O governo de Theresa May recebeu acusações de querer politizar o orgulhoso e independente corpo de altos funcionários britânicos e alinhá-lo ao sentimento popular anti-europeu, mas a nomeação de Barrow parece ir contra essa percepção.

Os que reclamam da nomeação de um partidário do Brexit duro expressaram sua decepção com o anúncio.

"É bom ver que o governo substituiu um diplomata de carreira condecorado... por um diplomata de carreira condecorado", escreveu Nigel Farage, ex-líder do partido antieuropeu UKIP.

Barrow terá menos de três meses para adaptar-se plenamente ao cargo. Theresa May prometeu que notificaria oficialmente a saída da UE a seus parceiros europeus antes de abril, dando assim o tiro de saída para dois anos de negociações sobre os termos do divórcio.

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