Para Inteligência americana, Moscou autorizou interferência em eleição

Washington, 5 Jan 2017 (AFP) - Autoridades do governo russo autorizaram a interferência nas eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos, reafirmaram altos funcionários da Inteligência americana em um testemunho por escrito ao Senado, uma afirmação contestada pelo presidente eleito, Donald Trump.

"Chegamos à conclusão de que apenas os mais altos líderes russos poderiam autorizar o recente roubo e divulgação de dados relacionados com as eleições", disseram três chefes da inteligência em seu testemunho.

O documento é assinado pelo diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, pelo subsecretário de Defesa para Assuntos de Inteligência, Marcel Lettre, e pelo chefe do Comando de Segurança Cibernética, o almirante Michael Rogers.

Os três testemunharam nesta quinta-feira ante o Comitê do Senado sobre Ciberpirataria, o Comitê Nacional Democrata e o chefe de campanha de Hillary Clinton, John Podesta.

Em seu depoimento, Clapper apontou que a Rússia "não alterou qualquer contagem de votos ou algo assim", e disse que "não há nenhuma maneira de medir o impacto" da divulgação dos e-mails sobre "as decisões do eleitores".

Perguntado se a interferência no período eleitoral poderia ser considerada um "ato de guerra", Clapper disse que é "uma decisão política pesada", mas acrescentou que em sua opinião foi uma iniciativa de "grande seriedade".

De acordo com Clapper, tratou-se de uma "campanha multifacetada", na qual a ciberpirataria foi "apenas uma parte, uma vez que também incluiu propaganda clássica, desinformação e notícias falsas".

A discussão sobre o alcance da denunciada interferência de Moscou nas eleições à Casa Branca tornou-se o centro de uma polêmica espetacular, já que o presidente eleito, Donald Trump, não parece disposto a aceitar a possibilidade de ter tido ajuda russa para vencer as eleições.

Trump deverá se reunir na sexta-feira com Clapper e outros funcionários da Inteligência americana para conhecer detalhes das informações que estes organismos têm sobre a ingerência russa.

Mas nesta quinta-feira, Trump voltou a atacar a "imprensa desonesta" destacando que "mente para fazer crer que sou contra a Inteligência, quando na verdade sou um grande fã".

Como consequência da convicção dos serviços de Inteligência sobre a ingerência de Moscou nas eleições de novembro, em 29 de dezembro passado, o presidente americano, Barack Obama, expulsou 35 "agentes de Inteligência" russos de território americano.

O testemunho por escrito dos três chefes da Inteligência também aponta que a China mantém seus ciberataques contra "o governo dos Estados Unidos, seus aliados e contra empresas americanas", embora sua frequência tenha diminuído.

As relações entre Washington e Pequim tornaram-se extremamente tensas em 2014 na sequência de queixas de ataques cibernéticos chineses. Em setembro de 2015, os presidentes Barack Obama e Xi Jinping anunciaram um acordo de cooperação para combater ataques cibernéticos.

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