Um bairro de Marrakesh recupera seu nome original judaico

Rabat, 5 Jan 2017 (AFP) - Marrakesh renomeará com seu nome original judaico um bairro inteiro da cidade marroquina, com suas praças e becos estreitos, informou nesta quinta-feira (05) uma fonte oficial.

No coração da célebre cidade turística, o bairro Essalam (em árabe, paz) voltará a se chamar El Mellah.

Essa decisão foi tomada durante uma "sessão extraordinária" da câmara de vereadores da cidade, informou à agência oficial MAP.

A mesma ocorreu por iniciativa do rei Mohamed VI, com finalidade de "preservar o patrimônio histórico desses lugares", assim como "o patrimônio cultural do conjunto dos componentes da sociedade marroquina", segundo as autoridades. Foi tomada "por pedido do presidente da comunidade judaica da cidade".

Em Marrocos, Mellah é o termo utilizado para designar os bairros onde viviam os judeus nas grandes cidades. O Mellah de Marrakesh foi construído no século XVI para acolher os judeus que foram expulsos da Espanha pela Inquisição.

Rodeado por altas muralhas, se estende por aproximadamente quarenta hectares, e hoje em dia é principalmente habitado por muçulmanos. Em junho de 2015, as autoridades já tinham lançado um importante programa de restauração do local.

Não muito distante da famosa praça Jemaa el Fna pode-se encontrar um mercado de especiarias e bijuterias, assim como numerosas empresas e a sinagoga Salat Al Azama, formando assim um local de construções centenárias.

"Recebi a notícia com muita emoção e gratidão", contou Serge Berdugo, diretor do Conselho de comunidades israelitas do Marrocos.

"Isso contribui para a proteção da identidade desse bairro, no qual em certo momento viveram quase 70.000 judeus marroquinos. A preservação desse bairro é um grande gesto de reapropriação da história e do passado do Marrocos", declarou com felicidade Berdugo à uma coluna da revista marroquina TelQuel.

Até o fim dos anos 1950, o Marrocos contava com uma importante comunidade judaica, de umas 250.000 pessoas. Porém esse número não parou de diminuir, com ondas migratórias principalmente até Israel e França, razão pela qual não restam mais do que 2.500 judeus marroquinos vivendo nesse país do norte da África. Milhares de peregrinos judeus voltam de visita ao local com regularidade.

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