Nativos da Namíbia cobram Alemanha por genocídio durante período colonial

Nova York, 6 Jan 2017 (AFP) - Representantes dos povos nativos da Namíbia apresentaram em um tribunal de Nova York uma ação coletiva contra a Alemanha para obter indenizações pelo suposto genocídio contra seu povo cometido pelos governantes alemães coloniais há um século.

A ação movida na quinta-feira pelos povos Ovaherero e Nama também solicita que os seus representantes sejam incluídos nas negociações entre a Alemanha e a Namíbia sobre esta questão.

Os dois países tem discutido uma declaração conjunta sobre os massacres de 1904-1905.

Embora a Alemanha tenha reconhecido que aconteceu um genocídio, se recusa a pagar reparações diretas, invocando a ajuda ao desenvolvimento em centenas de milhões de euros desde que a Namíbia tornou-se independente da África do Sul em 1990, entregue "para o benefício de todos os namíbios".

Os requerentes disseram que apresentaram uma ação coletiva "em nome de todos os Ovaherero e Nama do mundo, buscando reparações e indenizações pelo genocídio" sofrido nas mãos das autoridades coloniais alemãs.

Em Berlim, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Martin Schaefer, disse que seu gabinete não viu a ação e, portanto, não poderia comentar sobre o seu conteúdo.

Contudo, ressaltou que as negociações iniciadas há dois anos com Windhoek sobre uma declaração conjunta estão avançando em um "caminho comum" nessa questão.

A disputa remonta ao final do século XIX e início do século XX, quando a África do Sudoeste, agora conhecida como Namíbia, era colônia alemã.

A ação alega que de 1885 a 1903 quase um quarto das terras Ovaherero e Nama - milhares de quilômetros quadrados - foi usurpado sem compensação por colonos alemães com o consentimento explícito das autoridades coloniais alemãs.

Também afirma que essas autoridades fecharam os olhos para as violações perpetradas pelos colonos alemães contra meninas e mulheres Ovaherero e Nama, e para o uso de trabalho forçado.

As tensões eclodiram no início de 1904, quando os Ovaherero se rebelaram, seguidos pelos Nama em um levante esmagado pelas tropas alemãs imperiais. Cerca de 100.000 pessoas morreram na campanha de aniquilação liderada pelo general alemão Lothar von Trotha.

Entre os signatários da ação estão Vekuii Rukoro, principal líder do povo Ovaherero; David Frederick, presidente da Associação das Autoridades Tradicionais Nama; e a Associação pelo Genocídio Ovaherero nos Estados Unidos, uma organização sem fins lucrativos.

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