Turquia homenageia vítimas de Izmir, e autor de atentado de Istambul é procurado

Istambul, 6 Jan 2017 (AFP) - A Turquia homenageou nesta sexta-feira um policial morto ao enfrentar os atacantes que queriam, de acordo com as autoridades, cometer um massacre em Izmir (oeste), dias após o massacre do Ano Novo em Istambul, cujo autor ainda está foragido.

Estes dois ataques marcam um início de ano sangrento para a Turquia, traumatizada em 2016 por uma tentativa da golpe e vários atentados.

Apesar dos ataques que atingiram o país, o primeiro-ministro Binali Yildirim pediu aos seus concidadãos a "não modificar o curso normal de suas vidas". "Se o fizerem, vão servir às ambições destas organizações terroristas", disse na quinta-feira à noite.

Quinta-feira em Izmir, a terceira maior cidade do país, um comando detonou um carro-bomba em frente ao palácio da justiça da cidade, mas foi impedido de cometer um massacre no interior do edifício graças a intervenção de um policial, disseram as autoridades.

Fethi Sekin, um agente de trânsito de 44 anos, parou o carro-bomba antes de perseguir seus ocupantes. O policial foi morto depois de matar um dos membros do comando. Ele estava com pouca munição, de acordo com a imprensa turca.

Além do agente da polícia, um oficial de justiça foi morto e nove outras pessoas feridas. Dois atacantes foram mortos e as autoridades encontraram com eles dois Kalashnikovs, lançadores de foguetes e oito granadas.

"Ao sacrificar a sua vida sem hesitação (...) Fethi Sekin impediu um desastre ainda maior", afirmou na quinta Yildirim, que se reuniu com as famílias das vítimas em Izmir, cidade onde também é deputado.

Milhares de pessoas prestaram homenagem nesta sexta-feira ao polícia e ao oficial de justiça mortos. Seus caixões, cobertos com a bandeira turca, foram expostos no átrio do palácio da justiça, onde milhares de magistrados, policiais e eleitos cantaram o hino nacional.

Os autores do ataque foram identificados e 18 pessoas estavam sob custódia, segundo o ministro da Justiça Bekir Bozdag, que culpou os separatistas curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

- Novos detalhes - Este incidente ocorreu apenas quatro dias depois de um ataque reivindicado pelo grupo Estado Islâmico contra uma famosa boate de Istambul, Reina, onde 39 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas por um homem armado que fugiu.

As autoridades turcas continuavam nesta sexta-feira a procurar o autor do ataque. O vice-primeiro-ministro Veysi Kaynak afirmou que o homem, cujas fotos foram divulgadas, seria provavelmente de origem uigur.

Os investigadores acreditam que ele ainda está em Istambul, onde poderia beneficiar do apoio de uma célula do EI, informou nesta sexta-feira o jornal Hürriyet. Operações de grande escala são realizadas em diversas áreas da cidade.

Após o ataque, o atirador passou a noite em um café em Zeytinburnu, no lado europeu da metrópole turca antes de deixar o local na manhã seguinte com duas pessoas, de acordo com Hurriyet.

Segundo o jornal Habertürk, o atirador ainda estava na discoteca quando os primeiros policiais chegaram na Reina. Ele teria saído do local com um grupo de dez pessoas evacuadas, e disse à polícia que reféns estavam sendo mantidos na cozinha.

Quarenta pessoas foram presas como parte da investigação, incluindo a esposa do suposto atirador e muitas pessoas originárias da Ásia Central, segundo a imprensa.

O atentado de Istambul ocorreu num momento em que o exército turco tenta tomar a cidade de Al-Bab, um reduto do EI no norte da Síria, onde Ancara conduz uma ofensiva contra os extremistas islâmicos, mas também contra as milícias curdas.

Ao reivindicar o massacre na Reina, o EI criticou a Turquia por sua intervenção na Síria e sua participação na coalização liderada pelos Estados Unidos que combate o grupo no Iraque e na Síria.

O Estado-Maior turco afirmou nesta sexta que o exército turco matou "32 terroristas" do EI na quinta-feira, um balanço impossível de verificar junto a fontes independentes.

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