Obama defende acordo de Paris em artigo, contra planos de Trump

Washington, 9 Jan 2017 (AFP) - O presidente americano, Barack Obama, defendeu nesta segunda-feira a redução de emissões de gases do efeito estufa em um artigo publicado na revista Science contra os planos de Donald Trump de anular o Acordo de Paris, afirmando que o pacto climático é do interesse dos Estados Unidos.

No texto, Obama disse que os Estados Unidos estavam demonstrando que a redução de gases de efeito estufa pode ajudar o crescimento econômico. As reformas podem "aumentar a eficiência, a produtividade e a inovação", apontou.

No Acordo de Paris, adotado em dezembro de 2015, 195 países se comprometeram a limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC, em relação aos níveis pré-industriais.

"Se os Estados Unidos se retirarem do Acordo de Paris, perderão seu lugar na mesa para assegurar o respeito dos compromissos por parte de outros países, exigir transparência e impulsar objetivos ambiciosos", afirmou Obama.

"Renunciar à possibilidade de exigir contas a países que representam dois terços das emissões mundiais - como China, Índia, México e a União Europeia - iria contra nossos interesses econômicos", afirmou o presidente.

Trump, que assumirá a presidência em 20 de janeiro, tinha criticado a visão científica sobre as mudanças climáticas e o Acordo de Paris, embora recentemente tenha suavizado suas declarações.

"Acompanho o assunto de perto. Me mantenho aberto em relação a esse tema", disse em novembro. No entanto, o presidente eleito nomeou para a agência de proteção ambiental (EPA) um político republicano, Scott Pruitt, que passou anos lutando contra a regulamentação de emissões.

Para Obama, a questão não deveria ser politizada, porque "assumir a liderança de uma revolução tecnológica e definir as novas tendências do mercado" é positivo para as empresas americanas.

Os oito anos de mandato de Obama resultaram em uma série de novas leis ambientais, protegendo os ecossistemas marinhos, reduzindo as emissões de carbono e estimulando as energias renováveis.

O presidente democrata se apressou para ratificar o acordo do clima de Paris em tempo recorde, para garantir que este não pudesse ser arquivado pela futura administração.

Funcionários do governo Obama temem, porém, que embora Trump não possa acabar com o Acordo de Paris, ele poderia sabotá-lo.

Muitos dos compromissos dos Estados Unidos para reduzir as emissões de carbono estão no Clean Power Act, que Obama apresentou em 2015. A lei limita a quantidade de poluição de carbono que as usinas de energia podem emitir.

Fontes familiarizadas com o planejamento de transição de Trump dizem que a nova administração está ponderando opções como desativar a defesa legal do ato pelo governo ou desmantelar os planos de apelar de uma decisão da Suprema Corte que congelou partes do programa.

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