Papa condena 'loucura homicida' do 'terrorismo fundamentalista'

Cidade do Vaticano, 9 Jan 2017 (AFP) - O papa Francisco denunciou nesta segunda-feira ante o corpo diplomático acreditado no Vaticano a "loucura homicida" do "terrorismo fundamentalista" e pediu gestos valentes tanto na Síria quanto na Venezuela.

Em seu tradicional e solene discurso de início de ano ante os representantes e embaixadores dos 182 países acreditados ante o Vaticano, o Papa analisou a situação do mundo e relembrou os maiores conflitos e problemas que o preocupam.

Em seu longo discurso, dedicado "à segurança e à paz", Francisco, que em março completa 4 anos no trono de Pedro, denunciou o "terrorismo de matriz fundamentalista, que produziu muitas vítimas em todo o mundo" e abusa do nome de Deus para disseminar a morte.

"Refiro-me, em particular, ao terrorismo de matriz fundamentalista, que no ano passado tomou a vida de muitas vítimas em todo o mundo: em Afeganistão, Bangladesh, Bélgica, Burkina Faso, Egito, França, Alemanha, Jordânia, Iraque, Nigéria, Paquistão, Estados Unidos da América, Tunísia e Turquia", disse.

"São gestos vis, que usam as crianças para assassinar, como na Nigéria; tomam como alvo quem reza, como na catedral copta do Cairo, quem viaja ou trabalha, como em Bruxelas, quem passeia pelas ruas da cidade, como em Nice ou Berlim, ou simplesmente celebra a chegada do Ano Novo, como em Istambul", prosseguiu.

"Trata-se de uma loucura homicida que usa o nome de Deus para semear a morte, tentando afirmar uma vontade de domínio e de poder. Faço, portanto, um apelo a todas as autoridades religiosas para que, unidas, reafirmem com força que nunca se pode matar em nome de Deus", clamou.

"O terrorismo fundamentalista é fruto de uma grave miséria espiritual", advertiu.

Francisco pediu novamente ante os diplomatas de todo o mundo a paz na Síria, no Oriente Médio e convocou "gestos valentes" a favor da paz e do diálogo na Venezuela, depois de lembrar com satisfação os acordos alcançados na Colômbia após 52 anos de conflito armado com a guerrilha das Farc.

"A paz, no entanto, se conquista com a solidariedade. Dela brota a vontade de diálogo e de colaboração", disse.

"A misericórdia e a solidariedade é o que move a Santa Sé e a Igreja Católica em seu compromisso decidido por solucionar os conflitos ou seguir os processos de paz, de reconciliação e da busca de soluções negociadas aos mesmos", explicou.

"Enche de esperança ver que algumas das tentativas realizadas se devem à boa vontade de tantas pessoas diferentes que se empenham de modo ativo e eficaz em favor da paz", afirmou.

"Penso no esforço realizado com tenacidade, apesar das dificuldades, para terminar com anos de conflito na Colômbia", declarou.

"Esta abordagem busca fomentar a confiança mútua, manter caminhos de diálogo e reforçar a necessidade de gestos valentes, que são muito urgentes também na vizinha Venezuela, onde as consequências da crise política, social e econômica estão pesando há tempos sobre a população civil", disse.

O Papa pediu ainda "acolhida generosa para refugiados e imigrantes", um dos grandes desafios para a Europa.

"Os imigrantes não são números, são pessoas, com nomes, histórias e famílias", concluiu.

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