Salão do Automóvel de Detroit começa com defesa do livre-comércio e alegria de Trump

Detroit, Estados Unidos, 9 Jan 2017 (AFP) - Sob pressão, os principais grupos fabricantes de automóveis mostraram suas credenciais nesta segunda-feira em Detroit (Michigan, norte) causando alarde em seus investidores nos Estados Unidos por temor de serem rechaçados pelo presidente eleito, Donald Trump.

O 29° Salão do Automóvel de Detroit, que reúne os principais exponentes da indústria mundial del automóvel e abre ao público no dia 14 de janeiro, começou com um chamado ao livre-comércio por parte dos industriais alemães e anúncios de investimentos.

Enquanto se prepara para entrar na Casa Branca no dia 20 de janeiro, Trump transformou o Twitter em sua ferramenta predileta para pressionar a indústria para que fabriquem nos Estados Unidos os carros que queiram vender neste mercado.

Na última quinta-feira, Trump ameaçou a Toyota, a maior fabricante mundial de automóveis, com a imposição de barreiras alfandegárias, caso continue fabricando carros no México para vendê-los nos Estados Unidos. Antes havia pressionado a Ford e a General Motors.

A poucos dias das ameaças, a Toyota anunciou que vai investir US$ 10 bilhões nos Estados Unidos ao longo dos próximos cinco anos. A companhia japonesa vai dedicar a maior parte do novo investimento para a melhoria fábricas.

Procurado pela AFP, um porta-voz da Toyota não quis dizer se esses investimentos serão acompanhados por novos postos de trabalho. Atualmente, a Toyota emprega 40.000 pessoas nos Estados Unidos com 5.000 recrutados durante os últimos cinco anos.

Os representantes da Associação da Indústria Automotora da Alemanha se expressaram nesta segunda-feira em favor do livre-comércio, reivindicando que o presidente eleito Trump mantenha vivo o fluxo comercial internacional.

"Cooperação e acesso a mercados, o livre comércio e os investimentos diretos são dois lados da mesma moeda, trazendo prosperidade e emprego de pessoas em ambos os lados do Atlântico", disse Matthias Wissmann, presidente do grupo.

Wissmann, cujo grupo representa os fabricantes Daimler, BMW e Volkswagen, ressaltou que as companhias alemães quadruplicaram sua produção nos EUA, de 214.000 em 2009 para 850.000 unidades.

As automotoras alemãs empregam diretamente cerca de 110.000 pessoas nos EUA, disse Wissmann.

"É um claro compromisso com os Estados Unidos como base industrial", apontou Wissmann.

- Alegria de Trump -No domingo à noite, o presidente da Volkswagen, Herbert Diess, reconheceu que a companhia pretende manter fábricas no México, mas também destacou que a sociedade alemã poderá ampliar a capacidade em sua fábrica de Chattanooga, Tennessee, onde emprega cerca de 3.200 pessoas. Além disso, afirmou que VW pretende construir veículos elétricos nos Estados Unidos.

Enquanto isso, a Ford anunciou em Detroit que voltará a produzir dois modelos míticos nos Estados Unidos -o jeep Bronco e a pickup Ranger- para substituir o Focus, cuja fabricação será transferida para o México.

Seu presidente, Mark Fields, anunciou em uma coletiva de imprensa que ambos os veículos serão montados na fábrica da Wayne, em Michigan (norte do país), o que permitirá preservar 3.000 empregos ameaçados pela partida de modelos urbanos como o Focus.

Este é o segundo grande anúncio em uma semana da Ford para criar e preservar empregos nos EUA desde que Trump ameaçou taxar as importações provenientes do México. Na semana já havia renunciado a um investimento de 1,6 bilhão de dólares em San Luis de Potosí, no México, para aplicar quase a metade do valor nos próximos quatro anos para ampliar a fábrica em Flat Rock, no Michigan, destinada a veículos elétricos e sem motorista.

No domingo, a Fiat Chrysler informou que repatriará a produção de uma pickup da marca Ram hoje fabricada no México e que criará 2.000 postos de trabalhos com um investimento de 1 bilhão em fábricas em Ohio e no Michigan, dois estados chave para a vitória eleitoral de Trump.

No primeiro dia do Salão, Trump, que critica acordos de livre-comércio, destacou os anúncios de novos investimentos automotores: em sua conta do Twitter agradeceu após os anúncios: "Obrigado à Ford e à Fiat".

"Finalmente está acontecendo - a Fiat Chrysler acaba de anunciar um plano para investir um bilhão em fábricas de Michigan e Ohio. Adição de 2.000 postos de trabalho", comemorou.

A sueca Volvo, cujo maior acionista é chinês, planeja mais investimentos nos Estados Unidos. Prevê começar a produzir a segunda geração do sedã de tamanho médio S60 em 2018, segundo o diretor-executivo da Volvo, Hakan Samuelsson.

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