Maduro acusa oposição de tentativa de 'golpe de Estado'

Caracas, 10 Jan 2017 (AFP) - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou nesta terça-feira a oposição - que controla o Parlamento - de tentar um "golpe de Estado" ao declará-lo em "abandono do cargo", e advertiu que a decisão terá consequências.

"Atenham-se às consequências do chamado golpe de Estado que a quadrilha aprovou ontem na Assembleia Nacional", disse Maduro ao ativar nesta terça um "comando anti-golpe" integrado por figuras que se autoproclamam chavistas radicais.

Em sua primeira reação à decisão do Legislativo, Maduro afirmou que é um "manifesto golpista e nulo", que incita à violência e ao caminho para tirá-lo do poder por qualquer meio, incluindo a intervenção estrangeira.

"Sou o presidente da República Bolivariana da Venezuela, o chefe de governo e o chefe de Estado pelo mandato do povo, e com o povo seguirei defendendo a paz", afirmou Maduro em rede nacional de rádio e TV.

O Legislativo declarou Maduro em "abandono do cargo" por não cumprir suas funções em meio à grave crise política e econômica, e exige a convocação de eleições antecipadas.

"Dizem que abandonei o cargo e há 10 milhões de estudantes", se defendeu Maduro ao citar os investimentos do governo em setores como educação, saúde e habitação.

Após a decisão do Parlamento, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) declarou que o Legislativo não tem a faculdade de destituir o presidente.

O governo recorreu ao TSJ para poder processar penalmente os congressistas que aprovaram o "abandono de cargo" de Maduro.

O presidente destacou a necessidade de se constituir um "comando anti-golpe" para atuar com "firmeza" contra a oposição.

"Sabemos quais são os promotores da violência e devemos agir preventivamente", declarou Maduro ao integrantes do "comando", ao qual delegou o combate às conspirações.

Liderado pelo recém-nomeado vice-presidente, Tareck El Aissami, o "comando" é integrado ainda por Diosdado Cabello, número dois do chavismo; Vladimir Padrino López, ministro da Defesa; Néstor Reverol, ministro do Interior; e Gustavo González López, diretor do Serviço de Inteligência.

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