Milhares de iranianos assistem ao funeral do ex-presidente Rafsandjani

Teerã, 10 Jan 2017 (AFP) - Milhares de pessoas assistiram neta terça-feira ao funeral do ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, falecido no domingo.

As imagens da tv estatal mostravam a afluência nas ruas próximas à universidade, onde o aiatolá Ali Khamenei presidiu a cerimônia e pronunciou a "oraçãoi fúnebre".

Entre a multidão, havia inúmeras fotos do Guia Supremo e de Rafsanjani.

Estavam presentes na cerimônia personalidades políticas e militares de todas as tendências.

Entre elas, o presidente moderado Hassan Rohani e o general Ghassem Suleimani, chefe das operações externas da Guarda Revolucionária, força de elite iraniana.

Rafsandjani será enterrado no mausoléu do imã Khomeini, situado no sul de Teerã, junto ao túmulo do pai fundador da República Islâmica em 1979, de quem foi um colaborador próximo.

Nas redes sociais, era possível ver vídeos de grupos de manifestantes que gritavam palavras de ordem a favor do opositor Mir Hossein Musavi, que se encontra em prisão domiciliar desde 2011.

Ele foi um dos chefes do movimento de protesto de 2009 contra a reeleição do ex-presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad, violentamente reprimido pelas autoridades.

- Pedido de unidade -Outros pequenos grupos gritavam slogans a favor do ex-presidente reformador Mohamad Khatami, que foi aliado de Rafsanjani na formação de uma aliança entre reformadores e moderados.

Esta coalizão permitiu, em 2013, que o atual presidente moderado chegasse ao poder.

Um dos filhos de Rafsanjani, Mohsen Hashemi, pediu que o enterro do pai transcorresse em calma.

"Apreocupação de meu pai sempre foi a unidade e pedimos à população que participe maciçamente nestes funerais para mostrar ao mundo a unidade do país", declarou, na véspera.

O ex-presidente, figura-chave na fundação da República Islâmica em 1979, morreu aos 82 anos, de infarto.

Ali Khamenei lamentou o desaparecimento de "um companheiro de luta" com quem "a colaboração remontava a 59 anos", apesar das diferenças, em mensagem divulgada pela imprensa estatal.

O governo decretou três dias de luto oficial.

Rafsanjani, presidente de 1989 a 1997, havia sido internado às pressas na tarde de domingo, no hospital Shohada, em Teerã, segundo uma fonte próxima a ele, Hosein Marashi, citado pelas agências.

Conservador pragmático, Rafsanjani, presidente do Irã de 1989 a 1997, teve a dura tarefa de conduzir a reconstrução do país após a guerra com o Iraque (1980-1988), e colocou em prática a política de abertura ao Ocidente.

Foi um colaborador próximo do imã Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã em 1979

Ocupou diferentes cargos antes de se tornar presidente do país, em 1989, e, após deixar o cargo, em 1997, foi designado presidente do Conselho de Discernimento do regime, encarregado de aconselhar o guia supremo, aiatolá Ali Khamenei, e de mediar as diferenças entre o Parlamento e o Conselho de Guardiões da Constituição.

- Influência em queda -Nos últimos anos, sua influência nas instituições do Estado havia diminuído. Em 2013, o conselho de Guardiões da Constituição rejeitou sua candidatura à eleição presidencial devido à sua idade avançada.

Seu filho Mehdi Hashemi cumpre pena de 10 anos de prisão por acusações relacionadas à segurança nacional e por fraude e desvio de dinheiro.

Sua filha Faezeh Hashemi também foi presa, e condenada a seis meses de prisão, no fim de 2012, por "propaganda contra o regime".

Seus dois filhos foram acusados de terem participado das manifestações de 2009 denunciando a reeleição de Mahmud Ahmadinejad como presidente. O movimento de protesto de então foi violentamente reprimido pelo governo.

Em 2009, os aliados de Rafsanjani haviam apoiado a candidatura de Mir Hosein Musavi contra Mahmud Ahmadinejad. Mas com o apoio de Rafsanjani e do ex-presidente reformista Mohamad Khatami, o atual presidente moderado, Hasan Rouhani, venceu as eleições de junho de 2013, contra os conservadores.

Em fevereiro de 2016, Rafsanjani obteve uma vitória simbólica ante os conservadores que haviam tentado isolá-lo no cenário político, ao ser eleito líder dos representantes de Teerã na Assembleia dos Especialistas, encarregada de designar e, eventualmente, destituir o guia supremo.

Nos últimos anos, Rafsanjani defendia com regularidade uma liberdade maior nos campos político, cultural e social. Também era a favor da retomada do diálogo com os Estados Unidos, com os quais foram rompidas relações há 37 anos.

Apoiou o acordo nuclear de julho de 2015 entre o Irã e as seis grandes potências mundiais, incluindo os Estados Unidos, considerados o principal inimigo da República Islâmica.

A morte de Rafsanjani significa uma perda importante para os moderados e reformistas, levando em conta que o aiatolá Ali Khamenei deve nomear seu sucessor à frente do Conselho de Discernimento.

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