Novo chefe da ONU pede 'nova abordagem' para prevenir guerras

Nações Unidas, Estados Unidos, 10 Jan 2017 (AFP) - O novo secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, apresentou nesta terça-feira diante do Conselho de Segurança sua visão para a organização internacional: revitalizar seu papel com a adoção de "uma nova abordagem" para prevenir conflitos.

Esta é a primeira vez que Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-alto comissário da ONU para os refugiados (Acnur), fala ao Conselho de Segurança desde que assumiu suas funções no início de janeiro.

"Gastamos muito mais tempo e recursos respondendo a crises do que prevenindo-as. As pessoas estão pagando um preço alto demais", afirmou Guterres, considerando ser necessária "uma nova abordagem".

Ele expressou a sua intenção de lançar uma iniciativa a fim de favorecer a mediação como parte de seu compromisso "em favor da diplomacia pela paz", sem fornecer maiores detalhes sobre os seus planos.

Guterres substituiu o sul-coreano Ban Ki-moon em 1º de janeiro, prometendo fazer a organização internacional evoluir e redobrando os esforços para resolver as crises mundiais, como a guerra na Síria e no Sudão do Sul.

"A maior falha da comunidade internacional atualmente é seu fracasso em impedir conflitos e manter a segurança mundial", escreveu em um artigo publicado na segunda-feira na revista americana Newsweek.

"Lá onde as guerras acontecem, precisamos de mediação, arbitragem e uma diplomacia criativa apoiada por todos os países que têm influência", acrescentou.

Observadores e diplomatas esperam que Guterres, de 67 anos, tenha um papel mais ativo do que Ban, que delegava a maior parte do trabalho de mediação de conflitos a seus enviados especiais.

Preparar a paz"No futuro, precisaremos tomar mais atitudes para prevenir a guerra e apoiar a paz" em vez de apenas nos concentrarmos em responder aos conflitos, ressaltou Guterres nesta terça-feira.

"O desafio agora é realizar mudanças correspondentes em nossa cultura, estratégia, estruturas e operações", afirmou diante de um Conselho profundamente dividido e que foi incapaz de se por em acordo para adotar ações decisivas que pusessem fim à guerra na Síria, que já dura seis anos.

A incerteza sobre a política externa do próximo governo americano de Donald Trump, muito crítico da ONU, pode complicar seus planos. Mas, por outro lado, seu dinamismo e ânsia por reformas pode seduzir o próximo a ocupar a Casa Branca.

"Quando viram que as Nações Unidas resolveram os problemas? Não o fazem. Causam problemas", disse Trump no fim de dezembro, em uma de suas muitas críticas à organização. Ele também disse que a ONU "é só um clube para que as pessoas se juntem e passem bons momentos".

Guterres destacou que quer se reunir "o mais cedo possível". Ambos já tiveram uma conversa por telefone "muito positiva", segundo um porta-voz da ONU.

Mesmo assim, Trump assegurou que "as coisas vão mudar na ONU em 20 de janeiro", dia de sua chegada à Casa Branca, em resposta ao voto no Conselho de Segurança de uma resolução que pediu o fim da colonização israelense nos territórios palestinos.

Pela primeira vez desde 1979, os Estados Unidos não vetaram esta resolução. Sua abstenção possibilitou a aprovação do texto.

"Diversas oportunidades foram perdidas por causa da desconfiança dos Estados- membros sobre os motivos de cada um, e devido as preocupações a respeito da soberania nacional", relatou Guterres ao Conselho.

"Hoje precisamos demonstrar liderança e fortalecer a credibilidade e autoridade da ONU colocando a paz em primeiro lugar", finalizou.

"Um trabalho melhor"A embaixadora americana na ONU, Samantha Power, enumerou os vários conflitos em curso no mundo, da Síria ao Sudão do Sul, passando por Iêmen, Nigéria, Líbia, República Democrática do Congo e Burundi.

"É óbvio que o Conselho pode fazer um trabalho melhor", afirmou Power em uma de suas últimas intervenções na ONU.

A diplomata criticou a Rússia em seu discurso por tentar anexar a Crimeia, em violação à soberania da Ucrânia e por "um ataque militar impiedoso" contra a cidade síria de Aleppo em conjunto com o presidente Bashar al Assad.

A Rússia usou seu poder de veto seis vezes para bloquear ações do Conselho na Síria (duas delas para bloquear um cessar-fogo, embora agota o impulsione juntamente com a Turquia).

Como costuma ocorrer no Conselho, o representante russo contra-atacou e acusou os Estados Unidos de desestabilizar o Oriente Médio a partir de sua invasão do Iraque, do surgimento do grupo Estado Islâmico e dos fluxos migratórios na Europa, provenientes de Síria e Líbia.

"O governo de (Barack) Obama busca de forma desesperada em quem jogar a culpa por seus fracassos", disse o embaixador russo, Vitaly Churkin.

Guterres realizar ainda esta semana sua primeira viagem como secretário-geral: participará em Genebra de uma conferência sobre o Chipre, na presença dos três países que garantem a segurança da ilha: Grécia, Turquia e o Reino Unido, ex-potência colonial.

Ele voltará a viajar para Genebra na próxima semana para um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping. A China é um dos principais contribuintes das missões de manutenção de paz e seu compromisso junto a ONU continua crescendo.

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