Futuro chefe do Pentágono, 'Cachorro Louco' alerta sobre Rússia e China

Washington, 12 Jan 2017 (AFP) - O general reformado James Mattis - conhecido pelo apelido "Cachorro Louco" -, nomeado por Donald Trump para ser o secretário de Defesa, lançou um severo alerta nesta quinta-feira sobre os "ataques" de Rússia e China, bem como de grupos terroristas, contra o equilíbrio de forças em nível global.

Mattis fez o alerta durante seu testemunho perante a Comissão de Serviços Armados do Senado americano, parte de seu processo de aprovação.

Ao ser consultado sobre sua visão geral da ordem mundial atual, Mattis disse que hoje o planeta vive o "maior ataque desde o fim da Segunda Guerra Mundial, por parte de Rússia, de grupos terroristas e pelo que a China está fazendo no Mar da China Meridional".

Em seu testemunho, Mattis disse que "a Rússia gera graves preocupações em várias frentes, e a China está destruindo a confiança em sua periferia".

Ele expressou, especialmente, sua preocupação com a iniciativa chinesa de aumentar sua presença militar no Mar da China Meridional, um movimento que gera tensão na região e com os Estados Unidos.

Com relação à Rússia, Mattis destacou sua convicção de que o presidente Vladimir Putin tem como objetivo quebrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Neste momento, penso que o mais importante é reconhecer a realidade do que temos que administrar no caso do senhor Putin, e eu entendo que ele está tentando romper nossa aliança do Atlântico Norte", advertiu.

Um "rival estratégico"Esta visão, no entanto, guarda uma evidente distância daquela manifestada pelo próprio Trump, que deixou claro que defende uma aproximação com a Rússia.

Neste sentido, Mattis disse que os Estados Unidos têm "uma longa lista de momentos em que tentamos nos relacionar positivamente com a Rússia. E temos uma lista relativamente curta de sucesso nisto".

Em um gesto de concessão a Trump, o militar disse que apoia a vontade do presidente eleito de melhorar o diálogo com a Rússia, mas acrescentou que Moscou "escolheu ser um rival estratégico dos Estados Unidos".

Washington "deve ser capaz de se opor" a Moscou se for o caso e de "se defender se seus interesses forem ameaçados", explicou aos senadores.

Mattis destacou que os Estados Unidos devem tentar se relacionar e colaborar com a China no que for possível, "mas também estar preparados para enfrentar um comportamento inapropriado se a China escolher agir contra nossos interesses".

Líder militar famoso por ordenar aos seus soldados no Iraque que "sejam gentis, sejam profissionais, mas estejam prontos para matar todos aqueles que conhecem", Mattis foi questionado precisamente devido à sua trajetória militar.

Desde a criação do Departamento de Defesa, em 1947, a norma exige que um militar só pode ser escolhido para ser Secretário depois de um prazo de sete anos do fim de seu serviço na ativa, de forma a garantir o controle civil das Forças Armadas.

A princípio, Mattis ainda teria que esperar mais dois anos para poder chefiar o Pentágono, mas o Senado pode fazer uma exceção, como já fez com o general George Marshall, que chefiou o Pentágono por um ano, entre 1950 e 1951.

Repúdio à torturaA aprovação do nome de Mattis para ocupar o posto parece ser uma formalidade assegurada no Senado.

O chefe da comissão do Senado que realizou a audiência, John McCain (um ex-prisioneiro de guerra no Vietnã) disse que seria impossível "estar mais feliz" do que com a nomeação de Mattis.

Os Estados Unidos, disse McCain, "precisam dos serviços do general Mattis agora mais do que nunca".

Enquanto isso, o Comitê do Senado sobre Assuntos de Inteligência realizava nesta quinta-feira uma audiência com o nomeado de Trump para chefiar a Agência Central de Inteligência (CIA), o legislador conservador Mike Pompeo.

Durante o depoimento, Pompeo disse que não aceitará que a CIA volte a usar "técnicas especiais de interrogatório" que o próprio governo americano já considerou que constituem tortura.

Além disso, Pompeo considerou que é "bastante claro" que a Rússia hackeou e-mails de líderes do partido Democrata durante as eleições presidenciais de novembro.

Embora as perguntas dos senadores tenham se concentrado em conhecer as posições de Pompeo sobre temas centrais ligados à Inteligência, o legislador terá a delicada tarefa de recompor as relações entre a CIA e o presidente Trump.

Segundo Pompeo, a CIA é a "melhor agência de Inteligência que o mundo conheceu".

Na véspera, Trump acusou as agências americanas de Inteligência de vazarem para a imprensa relatórios reservados que faziam referência a vídeos em poder de espiões russos que mostravam conduta comprometedora do presidente eleito durante visita a Moscou.

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