Neonazista da Noruega diz que isolamento na prisão aumentou sua radicalização

Skien, Noruega, 12 Jan 2017 (AFP) - O neonazista norueguês Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas em 2011, culpou nesta quinta-feira sua radicalização na prisão ao isolamento prolongado, questão central da ação apresentada por ele contra o Estado norueguês sobre suas condições de detenção.

Suas declarações foram interpretadas como "uma tática" para obter um abrandamento das restrições aos seus contatos com o mundo exterior, principalmente com seus simpatizantes de extrema-direita.

"Tornei-me ainda mais radical. Já era radical no início, mas nesses últimos cinco anos me torneu ainda mais radical", declarou Breivik em seu depoimento no terceiro dia do julgamento de apelação do Estado, condenado no ano passado pelo "tratamento desumano" dado ao supremacista branco.

O Estado norueguês justificou na quarta-feira as restrições de contato com o exterior impostas ao assassino para evitar que ele propague sua ideologista neonazista de dentro da prisão.

"Ele terminou com a fase de combate ativo e agora prossegue com seu projeto na qualidade de ideólogo para formar redes", assegurou o procurador-geral Fredrik Sejersted.

Em 22 de junho de 2011, o criminoso perseguiu por mais de uma hora os participantes de um acampamento de verão da Juventude Trabalhista norueguesa na ilha de Utoya, onde matou 69 deles, a maioria adolescentes. Pouco antes, tinha matado outras oito pessoas, detonando uma bomba perto da sede do governo de Oslo

Em agosto de 2012, ele foi condenado a 21 anos de reclusão que podem ser prolongados indefinidamente.

Na prisão, dispõe de três celas onde pode assistir televisão, jogar videogame e fazer atividades físicas, mas foi submetido a um isolamento prolongado, que rendeu ao Estado norueguês a condenação por tratamento desumano e degradante, segundo a Convenção Europeia de Direitos Humanos.

- Pura tática - O advogado de Breivik, Øystein Storrvik, destaca sua "vulnerabilidade mental", devido às condições carcerárias, pedindo que possa visitar outros presos.

"Sou muito afetado pelo isolamento e a radicalização é, talvez, a sequela mais grave de meu isolamento", insistiu Breivik .

Essas novas declarações contrastam com o retrato apresentado na véspera pelo procurador Fredrik Sejersted, que o descreveu em "perfeita forma física e psicológica" e que, inclusive, escreveu uma carta de agradecimento ao pessoal do presídio no ano passado.

O professor de psiquiatria Ulrik Fredrik Malt viu em suas declarações "pura tática".

"Se o tribunal reconhece que ele sofre, deve conceder mais contato com outros, e esse outros são seus simpatizantes", disse à NRK.

O Estado contesta a noção de isolamento, evocando as múltiplas atividades proposta ao extremista.

Além disso, considera que o prisioneiro mantém contato com seus vigilantes - com os quais joga gamão -, seus advogados, pastores religiosos e inclusive com um visitante da prisão, assim como recebe sua correspondência - inclusive cartas eróticas.

"Seriam necessários grandes mudanças durante um longo período de tempo para que se possa dizer que não é mais perigoso", avaliou, em dezembro, a psiquiatra Randi Rosenquist, em um relatório citado por Sejesrted.

O extremista afirmou nesta quinta que optou por não instrumentalizar o seu processo.

Isso não o impediu de fazer a saudação nazista no primeiro dia do julgamento e, apesar das perguntas insistentes do procurador-geral, também se recusou a expressar remorso pelos ataques de 2011.

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