Cinema e shows, fontes de 'depravação' para o mufti saudita

Riade, 14 Jan 2017 (AFP) - O mufti da Arábia Saudita, a mais alta autoridade religiosa do país, protestou contra a possível abertura de cinemas e a realização de shows neste reino ultraconservador, considerando que serão fontes de "depravação".

"Nós sabemos que os shows de cantores e o cinema são fontes de depravação", declarou o grão-mufti Abdel Aziz al-Sheikh, citado pelo site de notícias Sabq, próximo do regime.

Ele foi questionado sobre o projeto da Autoridade saudita do entretenimento, que depende do governo, de autorizar a realização de shows e a abertura de cinemas.

A introdução de lazer e entretenimento está entre os objetivos de um ambicioso plano de reformas e diversificação econômica, Vision 2030, lançado em abril pelo vice-príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, filho de 31 anos do soberano.

Embora os cinemas sejam inexistentes na Arábia Saudita, o longa-metragem "Wadjda", dirigido pela saudita Haifaa Al-Mansur, foi aclamado pela crítica internacional e premiado em festivais estrangeiros em 2013.

Há vários anos também é realizado um festival de cinema em Dammam (leste do país).

Em outubro de 2016, um raro show de hip hop inflamou o público jovem em Riade e algumas autoridades chegaram a se referir ao início de uma nova era no reino.

Mas para o grão-mufti, cinemas "podem exibir filmes libertinos, obscenos, imorais e ateístas, porque eles vão usar filmes importados para mudar a nossa cultura".

No entanto, considerou que o "entretenimento através de canais científicos e culturais é aceitável", instando as autoridades a "não abrir a porta para o diabo". Mais da metade dos sauditas tem menos de 25 anos.

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