Mais de 30 morrem em grande ofensiva do Estado Islâmico contra o exército sírio

Em Beirute

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) lançou neste sábado (14) uma grande ofensiva contra os setores pró-regime da cidade síria sitiada de Deir Ezzor, onde mais de trinta combatentes foram mortos nos confrontos.

Pelo menos 12 soldados e 20 extremistas morreram nos intensos combates que prosseguiam nesta cidade do leste do país em guerra, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

O EI, que controla 60% da cidade, lançou sua ofensiva esta manhã para tomar as áreas controladas pelo regime, bem como um importante aeroporto militar nas proximidades, de acordo com o OSDH.

"Esta é a maior ofensiva lançada pelo EI" em mais de um ano, disse o diretor da organização, Rami Abdel Rahman.

A agência de notícias oficial Sana e uma fonte militar síria confirmaram o ataque.

O Observatório e a Sana também relataram a morte de dois civis em explosões nas zonas do governo na cidade.

Durante a ofensiva, os extremistas lançaram ataques suicidas contra as tropas do regime, indicou Abdel Rahman. Em resposta, "a aviação do regime e a de seus aliados lançaram ataques contra posições jihadistas na cidade".

Aliado inabalável de Bashar al-Assad, a Rússia apoia militarmente seu exército, principalmente por meio de ataques aéreos.

Romper as linhas do governo

O grupo extremista controla a maior parte da província de Deir Ezzor e, em 2014, tomou grande parte da cidade de mesmo nome. Desde janeiro de 2015, cerca bairros ainda sob controle do regime, localizados no oeste, onde 100.000 pessoas ainda vivem de acordo com a ONU.

"O Daesh concentra suas forças para romper as linhas do governo", disse à AFP uma fonte militar síria, usando um acrônimo em árabe para EI.

O objetivo dos extremistas islâmicos é cortar a estrada entre o aeroporto e a cidade, mas um contra-ataque do exército deteve seu avanço, acrescentou.

A província de Deir Ezzor, na fronteira com o Iraque, é a única província da Síria quase completamente nas mãos do EI.

Apesar das derrotas sofridas desde 2015, o grupo jihadista domina o leste da Síria, com Deir Ezzor, a maior parte da província de Raqa (norte), e uma presença nas regiões de Aleppo, nas cidades de al-Bab, Hama, Damasco, Homs e no sul do país.

O EI foi excluído do acordo de trégua, em vigor desde 30 de dezembro, firmado entre os rebeldes e o regime e patrocinado pela Rússia e Turquia. Outro grupo jihadista, Fateh al-Sham, também está excluído.

Nesta complexa guerra, o EI, uma organização ultrarradical sunita responsável por atrocidades e sangrentos ataques, também é alvo da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos e da aviação turca.

No Iraque vizinho, o grupo extremista também é alvo de uma grande ofensiva das forças do governo, que tentam recuperar a cidade de Mossul, último reduto dos jihadistas no país.

Em outra frente de combate na Síria, bombardeios na província de Idleb (noroeste), controlada por rebeldes e pela Fateh al-Sham, fizeram oito mortos, incluindo civis, segundo o OSDH.

Oposição apoia negociações

O cessar-fogo declarado na Síria abriu caminho para a realização de negociações entre o regime e os rebeldes em 23 de janeiro no Cazaquistão para tentar encontrar uma solução para o conflito que já matou mais de 310.00 pessoas em quase seis anos.

Neste sábado, a oposição política síria afirmou que apoia as discussões sob mediação da Rússia, Turquia e Irã em Astana.

"Sobre a reunião de Astana, o comitê afirma seu apoio à delegação militar (...) e espera que a reunião reforce a trégua", declarou o Alto Comitê de Negociações (HCN), que reúne uma grande parte da oposição síria, em um comunicado publicado após uma reunião em Riade.

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