Negociador da UE para o Brexit alerta sobre riscos para estabilidade financeira

Bruxelas, 14 Jan 2017 (AFP) - O negociador da Comissão Europeia para o Brexit, Michel Barnier, advertiu no sábado que o bloco deveria estar consciente do risco que o processo de saída do Reino Unido, que se anuncia difícil, representa para a estabilidade financeira.

Na sexta-feira à noite, o jornal britânico The Guardian publicou que Barnier tinha dito aos seus colegas do Parlamento Europeu que a UE teria de fazer um acordo "especial" com o setor financeiro britânico para manter o fluxo de crédito na Europa.

Em uma mensagem em sua conta de Twitter, o negociador detalhou no sábado que ele não tinha se referido a um acordo com a City de Londres, o distrito financeiro da capital britânica e um dos mercados financeiros mais importantes do mundo.

"Quando perguntado sobre a equivalência, eu disse: a UE precisaria de uma vigilância especial em relação ao risco para a estabilidade financeira, não de um acordo especial para ter acesso à City", disse na mensagem.

Segundo uma ata não publicada da conversa entre Barnier e os parlamentares europeus, consultada pelo The Guardian, o francês teria explicado que queria garantir que os bancos, empresas e governos dos 27 países-membros da UE continuem tendo acesso ao setor financeiro da City depois que o Reino Unido sair do bloco.

No entanto, um porta-voz da Comissão Europeia disse à AFP no sábado que as minutas às quais o artigo se refere "não refletem com precisão o que o senhor Barnier disse".

Os líderes europeus apontaram o setor financeiro como um ponto fraco para Londres nas negociações.

"Nesta área, tem de se fazer um trabalho muito específico", disse Barnier nas minutas.

"Ainda há vínculos específicos/especiais que precisam ser analisados fora do esquema das negociações (...) para evitar a instabilidade financeira", acrescentou.

Na terça-feira, o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, advertiu que os europeus também têm muito a perder se não chegar a um acordo, afirmando que havia mais "riscos de instabilidade financeira para o continente no curto prazo, durante a transição, do que para o Reino Unido".

Carney afirmou que três quartos das operações de câmbio do continente, metade dos empréstimos e metade das operações com ações eram realizados na capital britânica.

Por sua parte, Michel Barnier reiterou que a UE não iria deixar o Reino Unido inventar um Brexit "à la carte", escolhendo quais partes do bloco quer durante as negociações.

Um influente grupo de parlamentares que formam a comissão para o Brexit pediu à primeira-ministra, Theresa May, que publique antes de meados de fevereiro um roteiro com o plano para o divórcio com a UE.

May prometeu ativar o artigo 50, que regula o procedimento para sair da UE, no final de março, dando início à negociação.

Um porta-voz do governo comemorou a iniciativa, embora tenha especificado que Londres "tem previsto apresentar os planos, com a precaução de não prejudicar a posição do Reino Unido nas negociações, antes do final de março".

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