Ofensiva do EI contra Exército sírio deixa mais de 30 mortos

Beirute, 15 Jan 2017 (AFP) - O grupo extremista Estado Islâmico (EI) lançou, neste sábado (14), uma grande ofensiva contra os setores pró-governo da cidade síria sitiada de Deir Ezzor, onde mais de 30 combatentes foram mortos nos confrontos.

Pelo menos 12 soldados e 20 extremistas morreram nos intensos combates nessa cidade do leste do país em guerra, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Tendo o controle de 60% da cidade, o EI lançou sua ofensiva esta manhã para tomar as áreas sob domínio do governo, bem como um importante aeroporto militar nas proximidades, de acordo com o OSDH.

"Esta é a maior ofensiva lançada pelo EI" em mais de um ano, disse o diretor da organização, Rami Abdel Rahman.

A agência de notícias oficial Sana e uma fonte militar síria confirmaram o ataque.

O Observatório e a Sana também relataram a morte de dois civis em explosões nas zonas do governo na cidade.

Durante a ofensiva, os extremistas lançaram ataques suicidas contra as tropas do governo, indicou Abdel Rahman. Em resposta, "a aviação do regime e a de seus aliados lançaram ataques contra posições jihadistas na cidade".

Aliado inabalável de Bashar al-Assad, a Rússia apoia militarmente seu Exército, principalmente por meio de ataques aéreos.

'Romper as linhas do governo'O grupo extremista controla a maior parte da província de Deir Ezzor e, em 2014, tomou grande parte da cidade de mesmo nome. Desde janeiro de 2015, cerca bairros ainda sob controle do governo, localizados no oeste, onde 100 mil pessoas ainda vivem de acordo com a ONU.

"O Daesh concentra suas forças para romper as linhas do governo", disse à AFP uma fonte militar síria, usando um acrônimo em árabe para EI.

O objetivo dos extremistas islâmicos é cortar a estrada entre o aeroporto e a cidade, mas um contra-ataque do Exército deteve seu avanço, acrescentou.

A província de Deir Ezzor, na fronteira com o Iraque, é a única província da Síria quase completamente nas mãos do EI.

Apesar das derrotas sofridas desde 2015, o grupo domina o leste da Síria, com Deir Ezzor, a maior parte da província de Raqa (norte), e uma presença nas regiões de Aleppo, nas cidades de al-Bab, Hama, Damasco, Homs e no sul do país.

O EI foi excluído do acordo de trégua, em vigor desde 30 de dezembro, firmado entre os rebeldes e o governo e patrocinado por Rússia e Turquia. Outro grupo extremista, Fateh al-Sham, também está excluído.

Nesta complexa guerra, o EI, uma organização ultrarradical sunita responsável por atrocidades e sangrentos ataques, também é alvo da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, assim como da aviação turca.

Em outra frente de combate na Síria, bombardeios na província de Idleb (noroeste), controlada por rebeldes e pela Fateh al-Sham, fizeram oito mortos, incluindo civis, segundo o OSDH.

A ONG informou ainda que houve combates no setor de Wadi Barada, onde técnicos do governo entraram na sexta-feira, no âmbito de um acordo entre o governo e os insurgentes, para consertar os danos causados nas infraestruturas de abastecimento de água para Damasco.

"As forças do regime e do Hezbollah violaram o acordo" negociado em Wadi Barada, disparando foguetes contra uma cidade dessa área, disse Abdel Rahman à AFP.

Hoje, a agência Sana relatou que o representante do governo para as negociações em Wadi Barada, Ahmad al-Ghadban, faleceu no sábado quando "terroristas abriram fogo (...) após uma reunião". A informação foi confirmada pelo OSDH.

Oposição apoia negociaçõesO cessar-fogo declarado na Síria abriu caminho para a realização de negociações entre o governo e os rebeldes em 23 de janeiro no Cazaquistão para tentar encontrar uma solução para o conflito que já matou mais de 310.00 pessoas em quase seis anos.

Neste sábado (14), a oposição política síria afirmou que apoia as discussões sob mediação de Rússia, Turquia e Irã em Astana, capital do Cazaquistão.

"Sobre a reunião de Astana, o comitê afirma seu apoio à delegação militar (...) e espera que a reunião reforce a trégua", declarou o Alto Comitê de Negociações (HCN), que reúne uma grande parte da oposição síria, em um comunicado publicado após uma reunião em Riad.

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