Chefe da CIA pede a Trump que modere impulsos em meio a suspeitas de interferência russa

Washington, 15 Jan 2017 (AFP) - As suspeitas de interferência russa na política dos Estados Unidos lançaram uma sombra, neste domingo (15), sobre os preparativos para a posse de Donald Trump, quando o chefe da CIA alertou que o presidente eleito deve moderar seu discurso para proteger a Segurança Nacional.

A advertência de John Brennan ao próximo presidente republicano, poucos dias antes da posse de sexta-feira (20), chegou quando senadores americanos lançaram uma investigação bipartidária sobre a suposta intromissão de Moscou nas eleições de 2016.

"Eu não acho que ele tenha uma noção plena das capacidades russas, das intenções e ações da Rússia", alfinetou Brennan sobre Trump, em entrevista à Fox News neste domingo.

"Eu acho que Trump tem de ser muito disciplinado em termos do que ele diz publicamente. Ele vai ser, em poucos dias, a pessoa mais poderosa do mundo (...) e eu acho que ele tem de reconhecer que suas palavras têm impacto", acrescentou.

"A espontaneidade não é algo que proteja os interesses da Segurança Nacional, portanto, quando ele fala, quando ele reage, ele tem de se certificar de que entende que as implicações e o impacto nos Estados Unidos podem ser profundos", insistiu Brennan.

As agências de Inteligência dos Estados Unidos afirmam que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma tentativa secreta de interferir na eleição americana para impulsionar Trump e prejudicar sua oponente, a democrata Hillary Clinton.

Um relatório do diretor de Inteligência Nacional divulgado este mês aponta que hackers a serviço da Rússia invadiram computadores e contas do Partido Democrata para vazar arquivos comprometedores para Hillary e também conduziram uma campanha de manipulação da mídia com o mesmo objetivo.

Na mesma entrevista, Brennan disse estar "indignado" com que Trump tenha comparado o trabalho da Inteligência ao comportamento da Alemanha nazista.

"Me causa indignação comparar o mundo da Inteligência com a Alemanha (nazista)", criticou.

"Eu me sinto ofendido (porque) não há qualquer razão para que Trump aponte para os serviços de Inteligência, condenando-os por terem revelado informações que já estavam disponíveis publicamente", completou o diretor da CIA.

Encontro com PutinA porta-voz de Donald Trump e o Kremlin negaram hoje uma informação publicada pela imprensa britânica de que a primeira viagem do presidente eleito dos Estados Unidos depois de assumir o cargo seria para participar de uma reunião com Putin.

O Sunday Times citou autoridades britânicas anônimas, segundo as quais Trump tentará "restabelecer" as relações com o Kremlin em uma reunião que ocorreria, provavelmente, na Islândia.

A porta-voz da Trump, Hope Hicks, disse à AFP que a matéria era "completamente falsa".

Ainda conforme o jornal, a reunião emularia as conversas de Ronald Reagan em Reykjavik com o então líder soviético Mikhail Gorbachev em 1986, durante a Guerra Fria.

Trump começará a trabalhar em um acordo que limita as armas nucleares como parte de seus esforços para restabelecer as relações entre as duas potências, disse o artigo.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou neste domingo que, "de momento, não houve discussão sobre uma reunião", informou a agência de notícias russa RIA Novosti.

A Islândia disse que não tem conhecimento de tal plano, mas indicou que está disposta a sediar uma cúpula para ajudar a melhorar as relações entre Washington e Moscou.

Em entrevista ao Wall Street Journal, publicada na sexta-feira (13), Trump sugeriu que pode suspender as sanções impostas à Rússia pelos supostos ciberataques de Moscou, se o país ajudar os Estados Unidos em objetivos prioritários, como a luta contra grupos extremistas.

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