Presidente venezuelano prestará contas de sua gestão

Caracas, 15 Jan 2017 (AFP) - O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, apresentará neste domingo seu relatório anual de governo perante o mais alto tribunal de justiça e não ante o Parlamento, cuja maioria opositora o acusa pela crise econômica e social do país.

Em um ato sem precedentes na Venezuela, Maduro comparecera às 11h00 (13H00 de Brasília) para prestar contas sobre a sua gestão ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), seis dias após a Assembleia Nacional declará-lo em "abandono do cargo", acusando-o de não cumprir com o seu dever e causar a grave crise no país.

Maduro, que no dia 10 de janeiro completou quatro de seus seis anos de mandato, descreveu a decisão como um "manifesto golpe".

Acusada pela oposição de servir ao governo, a justiça autorizou Maduro a não se apresentar a um Legislativo que, segundo sentenciou há cinco meses, atua em "desacato" por ter empossado três deputados da oposição cuja eleição foi suspensa por alegada fraude.

"Esta é uma forma de fujimorazo: o desconhecimento do Poder Legislativo", disse Jesus Torrealba, secretário-executivo da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), referindo-se ao golpe de Estado de Alberto Fujimori no Peru, em 1992, quando ele dissolveu Congresso.

Em seu informe, Maduro explicará o desempenho de seu governo ante a crise. "2016 foi o ano da resistência, 2017 será o da recuperação e expansão da revolução" socialista, disse há poucos dias.

O país, com as maiores reservas de petróleo do mundo, tem vivido na penúria, com uma inflação altíssima - de 475% segundo o FMI - e uma grave escassez de alimentos e medicamentos.

De acordo com pesquisas de órgãos privados, oito de cada 10 venezuelanos rejeitam a gestão de Maduro pela crise. Mas o governo promete uma guinada no modelo econômico socialista, com a expansão de um sistema de distribuição de sacos de comida em áreas populares.

O governo vai começar em 20 de janeiro a distribuir o "cartão da Pátria", necessário para comprar os sacos de alimentos subsidiados e beneficiar de missões sociais.

Mas as previsões econômicas são sombrias. O FMI projeta uma inflação de 1.660% este ano.

Maduro começou o ano com o passo forte. Preparando-se para uma nova etapa de confronto, nomeou vice-presidente Tarek El Aissami, um "chavista radical" colocado à frente de um "comando" contra supostos planos "golpistas" da oposição.

Sete adversários, incluindo um deputado suplente, foram presos esta semana pelo "comando antigolpe", no que a oposição denunciou como um aumento da "repressão" na Venezuela, onde, de acordo com a MUD, existem centenas de "presos políticos".

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