Ex-tesoureiro admite na Justiça contabilidade oculta do PP espanhol

San Fernando de Henares, Espanha, 16 Jan 2017 (AFP) - O Partido Conservador espanhol (situação) teria uma contabilidade oculta, admitiu nesta segunda-feira publicamente a um tribunal Luis Bárcenas, ex-tesoureiro da organização e quem é julgado como protagonista de uma ampla rede de corrupção.

Gerente e depois tesoureiro do Partido Popular (PP) de 1989 a 2009, Bárcenas já havia revelado em 2013 - interrogado por um juiz a portas fechadas - a existência de uma "caixa preta" da organização com dinheiro não declarado.

Ele afirmou ter entregue dinheiro em envelopes ao atual chefe de governo, Mariano Rajoy.

Perguntado publicamente nesta segunda sobre a "caixa B", Bárcenas confirmou que existiram "recursos que não estavam na contabilidade oficial".

Segundo ele, eram "doações" de empresários, que não esperavam contrapartidas.

Bárcenas testemunhou em juízo pela chamada chamada "trama Gürtel", iniciada em outubro, pela qual pode ser sentenciado a 42 anos de prisão.

A trama era supostamente dirigida pelo empresário Francisco Correa, que pagava subornos e presenteava funcionários do PP em troca de licitações de obras públicas para empresas "amigas".

Se os empresários conseguissem um contrato, eles pagavam uma comissão, parte dela para Bárcenas, de acordo com o depoimento de Correa.

"É uma acusação infundada, em todo caso é uma estupidez", afirmou Bárcenas nesta segunda-feira. "Não recebi absolutamente nada de Correa nem para mim nem para o PP", acrescentou.

Bárcenas precisa explicar a origem de sua fortuna de 48 milhões de euros em contas suíças. Nesta segunda-feira, alegou que sempre manejou grandes quantias de dinheiro em espécie, sobretudo porque se dedicava à venda de obras de arte.

Ele também defendeu Rajoy, ao afirmar que o presidente do PP deu ordens em 2003 de não trabalhar mais com empresas de Correa, "porque lhe contaram que Correa se dedicava a atividades ilícitas".

Rajoy não assumiu qualquer responsabilidade no caso Gürtel, mas lamentou ter enviado em 2013 uma mensagem de texto a Bárcenas em que dizia: "Seja forte".

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