Ulster terá eleições após derrubada do governo de coalizão

Londres, 16 Jan 2017 (AFP) - Os norte-irlandeses comparecerão às urnas em 2 de março após a derrubada da coalizão que governava o Ulster, anunciou nesta segunda-feira (16) o ministro britânico da província semi-autônoma do Reino Unido, James Brokenshire.

O Sinn Feinn (partido nacionalista) se negou a nomear um novo primeiro-ministro depois da renúncia, na semana passada, de Martin McGuinness, o que deu lugar a uma demissão automática da primeira-ministra Arlene Foster, do Partido Unionista Democrático.

Na segunda-feira passada (9), McGuinness - ex-membro do Exército Republicano Irlandês (IRA), organização armada que combateu o Exército britânico durante o conflito na Irlanda do Norte - havia anunciado que, "com grande pesar e reticência", apresentava sua renúncia ao cargo, em protesto pela suposta corrupção da chefe de governo.

"O Sinn Fein", partido de McGuinness, "não tolerará a arrogância de Arlene Foster e do Partido Unionista Democrático", afirmou.

Foster se recusava a pedir demissão após a recente descoberta de malversação de dinheiro público em um programa de promoção da energia renovável, lançado quando era ministra.

O programa de subvenções para o desenvolvimento de energias renováveis, instaurado em 2015 por Foster quando era ministra de Empresas, envolveu a malversação de centenas de milhões de libras, segundo a imprensa local.

O programa foi suspenso, mas as subvenções continuarão sendo entregues às empresas até 2036.

Brokenshire apelou às partes a "restabelecer uma coligação" o mais rápido possível. "Ninguém deve subestimar o desafio apresentado às instituições políticas norte-irlandesas e o que está em jogo", no momento em que Londres se preocupa com os acordos de paz de 1998.

Mas a deputada do Sinn Fein Michelle O'Neill afirmou diante do Parlamento regional que seu partido só retornará ao governo se ocorrerem "mudanças reais e significativas".

Foster lamentou por sua parte a realização de eleições na Irlanda do Norte no momento do Brexit e de um contexto econômico mundial volátil.

"A Irlanda do Norte e seus habitantes não necessitam de uma eleição (...) que representa um risco para seu futuro e estabilidade".

O governo de unidade foi um dos resultados do Acordo da Sexta-Feira Santa que pôs fim a 30 anos de conflito sectário, no qual 3.500 pessoas morreram, entre republicanos partidários da província britânica se unir a Irlanda e protestantes leais a Londres.

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