Bruxelas buscará com Reino Unido acordo de Brexit 'equilibrado'

Estrasburgo, França, 18 Jan 2017 (AFP) - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou nesta quarta-feira que buscará um acordo "equilibrado" com o Reino Unido, um dia depois de a primeira-ministra britânica, Theresa May, ter feito seu discurso sobre o Brexit.

"Farei tudo o que for possível para que essa negociação termine com uma solução equilibrada, no respeito integral de nossas regras", garantiu o presidente do executivo comunitário, em discurso na Eurocâmara.

Juncker agradeceu os esclarecimentos feitos ontem por May, a quem lembrou por telefone à noite que "um discurso não ativa as negociações". Londres pretende notificar oficialmente sua saída do bloco antes do fim de março.

"Quando o Reino Unido ativar o artigo 50 [do Tratado de Lisboa], haverá uma negociação inédita que deverá terminar em dois anos e cujas consequências serão consideráveis para o Reino Unido, para seus 27 sócios e para a União em seu conjunto", acrescentou.

Para Juncker, "as negociações serão muito, muito, muito difíceis", já que o Reino Unido deverá ser considerado como um país de fora do bloco, estimou em coletiva de imprensa.

Em seu discurso da véspera, a primeira-ministra britânica descartou a idea de que o Reino Unido possa continuar fazendo parte do mercado único europeu, um espaço de livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais, ao preferir priorizar as restrições à chegada de pessoas provenientes do resto da UE.

O discurso de May "demonstra que uma posição unificada de 27 Estados-membros sobre a indivisibilidade do mercado único foi finalmente entendida e aceita por Londres", destacou na Eurocâmara o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

O presidente do Conselho, que representa os 28, disse ter ouvido "palavras equilibradas, cálidas sobre a integração europeia, que se aproximaram muito mais do enfoque do [ex-primeiro-ministro britânico] Winston Churchill do que do presidente eleito [dos Estados Unidos, Donald] Trump".

O primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, cujo país exerce a presidência pro-tempore da UE, considerou que May "foi muito clara sobre a posição do Reino Unido antes de ativar as negociações", e classificou de "desenvolvimento bastante positivo" sua renúncia a continuar no mercado único.

"Queremos um acordo justo com o Reino Unido, mas este acordo tem que ser necessariamente inferior a ser membro do bloco. Isso não deveria surpreender ninguém", reiterou Muscat, que anunciou uma possível cúpula extraordinária sobre o Brexit, quatro ou cinco semanas depois da notificação oficial de Londres.

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