Rússia prorroga por dois anos visto de residência de Snowden

Moscou, 18 Jan 2017 (AFP) - As autoridades russas prorrogaram por dois anos o visto de residência do ex-consultor dos serviços de inteligência americanos e revelador de segredos Edward Snowden, que vive na Rússia desde 2013, anunciou nesta quarta-feira a porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores.

"Acabamos de prorrogar por dois anos o visto de residência na Rússia de Snowden", anunciou Maria Zajarova no Facebook.

Contactado pela AFP, Anatoli Kucherena, advogado do ex-consultor da Agência Nacional de Segurança (NSA), não pôde confirmar esta informação.

Snowden tinha até agora um visto de residência de três anos, que obteve após desfrutar de um direito de asilo de um ano na Rússia.

Em um primeiro momento, havia passado mais de um mês, segundo a versão oficial, na zona de trânsito do aeroporto Cheremetievo de Moscou.

O ex-consultor da NSA fugiu à Rússia depois de vazar à imprensa dezenas de milhares de documentos que demonstravam a extensa vigilância eletrônica exercida pela inteligência americana no mundo.

Estas revelações provocaram fortes tensões entre os Estados Unidos e seus aliados. A decisão das autoridades russas de acolher Snowden provocou a ira de Washington.

A prorrogação de seu visto de residência foi concedida um dia após o presidente americano, Barack Obama, reduzir a pena da soldado transgênero Chelsea Manning, condenada a 35 anos de prisão por ter transmitido documentos confidenciais ao WikiLeaks.

Manning, que se chamava Bradley antes de afirmar que se sentia mulher, convertendo-se em símbolo da luta transgênero nos Estados Unidos, será liberada no dia 17 de maio.

Esta decisão foi aplaudida pelo próprio Snowden, que também é acusado nos Estados Unidos de roubo de documentos pertencentes ao Estado e espionagem, que pode valer a ele uma condenação de até 30 anos de prisão.

"Em cinco meses será livre. Obrigado por tudo o que fez pelo mundo, Chelsea", reagiu Snowden no Twitter. "Obrigado, Obama", acrescentou.

O presidente em fim de mandato descartou, no entanto, indultar Snowden, afirmou o porta-voz do executivo americano, Josh Earnest, ressaltando que o ex-consultor "fugiu aos braços de um adversário e encontrou refúgio em um país que, muito recentemente, tentou enfraquecer nossa democracia de forma deliberada", em referência à Rússia.

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