Ministra sul-coreana acusada de elaborar 'lista negra' de artistas renuncia

Seul, 21 Jan 2017 (AFP) - A ministra da Cultura sul-coreana, Cho Yoon-Sun, renunciou depois de ter sido detida neste sábado por acusações de ter elaborado uma "lista negra" com quase 10.000 nomes de artistas que tornaram públicas suas críticas à presidente destituída Park Geun-Hye, informou a agência Yonhap.

Cho Yoon-Sun é acusada de elaborar uma lista para privar os artistas de subsídios do governo e de investidores privados e de colocá-los sob vigilância estatal.

A existência desta lista lembra o fantasma da ditadura militar de Park Chung-Hee (pai da atual presidente destituída) entre 1960 e 1980, quando os meios de comunicação, os artistas e o setor do entretenimento viviam sob a censura.

Um tribunal de Seul emitiu uma ordem de prisão contra Cho por abuso de autoridade e perjúrio, indicou a Yonhap.

Pouco depois, Cho apresentou sua renúncia ao primeiro-ministro, Hwang Kyo-Ahn, que governa o país desde a destituição parlamentar de Park, informou a Yonhap.

Também emitiu uma ordem de prisão contra Kim Ki-Choon, um poderoso ex-chefe de gabinete da presidente conservadora, acusado de ordenar Cho a criar a lista de artistas "esquerdistas".

Alguns meios de comunicação coreanos indicam que Park teria pedido a elaboração da lista, enquanto outros sustentam que a aprovou.

A procuradoria interrogou Cho e Kim no âmbito do vasto escândalo político no qual estão envolvidas Park e sua conselheira, Choi Soon-Sil, que está sendo julgada por abuso de poder e extorsão.

Park foi destituída pelo Parlamento no mês passado. A Corte Constitucional de Seul está agora analisando a validade desta moção.

A "lista negra" de artistas de cinema, teatro, música, arte e literatura é lida como um "quem é quem" da cultura na Coreia do Sul.

Entre os nomes está o do romancista Han Kang, ganhador em 2016 do prêmio Man Booker International, e o diretor de "Oldboy", Park Chan-Wook, premiado com o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes de 2004.

Muitos artistas que aparecem na lista publicaram seu apoio a partidos da oposição, ou criticaram e satirizaram a presidente Park.

O processo de destituição da presidente foi resultado de semanas de crise, durante as quais milhões de pessoas saíram às ruas para pedir aos partidos políticos o afastamento de Park.

A pressão da opinião pública foi fundamental para que um número suficiente de deputados do partido conservador da presidente, o Saenuri, decidissem apoiar a moção ao lado da oposição.

A corrupção na cúpula do poder tem sido um grande obstáculo para a democracia sul-coreana, e o palácio presidencial não é exceção.

Desde as primeiras eleições livres em 1987, todos os presidentes foram objeto de investigações. O ex-presidente Roh Moo-Hyun cometeu suicídio durante a investigação de um caso de corrupção que envolvia sua família.

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