Peru inicia detenções de funcionários envolvidos em propinas da Odebrecht

Lima, 21 Jan 2017 (AFP) - A polícia peruana deteve na sexta-feira um funcionário do governo de Alan García (2006-2011) por supostamente receber subornos da construtora Odebrecht em troca de um contrato, enquanto buscava um vice-ministro da época envolvido no caso.

O primeiro peruano detido na operação de captura de supostos receptores de subornos de empresas brasileiras é Edwin Luyo Barrientos, que presidiu o Comitê de Licitação do Metrô de Lima, obra que finalmente foi concedida à Odebrecht em 2009.

A empresa admitiu o pagamento de propinas para ganhar contratos públicos no Brasil e em vários países da América Latina, no âmbito da Operação Lava-Jato.

Segundo o procurador Hamilton Castro, a cargo do caso no Peru, teria sido realizado um pagamento ilegal de mais de 7 milhões de dólares para a concessão da Linha 1 do Metrô de Lima.

"O pagamento teria sido destinado ao ex-vice-ministro (de Comunicações) Jorge Cuba e a Edwin Luyo. Suspeita-se que este montante não tenha sido apenas para os dois funcionários", detalhou o Ministério Público em sua conta no Twitter.

Esta primeira detenção ocorre depois que a Odebrecht forneceu informações ao Ministério Público como parte de um acordo.

Segundo imagens da América Televisión, Luyo foi detido em sua casa e levado pela polícia. Durante a transferência, Luyo tentava cobrir o rosto. "Até o momento, as detenções são preliminares", comentou o presidente do Poder Judiciário, Duberlí Rodríguez, à rádio RPP Noticias.

A polícia judicial informou à AFP que a operação continuará em outros distritos de Lima em busca de mais envolvidos. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ex-vice-ministro Cuba também foi buscado em sua casa, mas não foi encontrado.

No caso do Peru, a Odebrecht reconheceu o pagamento de 29 milhões de dólares para tomar o controle de obras públicas entre 2005 e 2014, períodos que compreendem os governos de Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala.

As autoridades judiciais já têm sob investigação por suposta lavagem de dinheiro Humala e sua esposa, Nadine Heredia, que só podem deixar o país com autorização judicial.

Para o juiz Richard Concepción Carhuancho, responsável pelo caso, "o risco de fuga aumentou", tanto de Humala quanto de sua esposa.

A decisão judicial se baseia na existência de autorizações notariais concedidas por Heredia - atualmente funcionária da FAO - onde autoriza seu marido a viajar com seus três filhos, todos menores de idade - para fora do país sem restrições, ou com uma terceira pessoa que ele desigune.

Em outro documento autorizam a mãe de Heredia a viajar com as crianças.

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