Israel aprova construção de novas casas de colonos, após posse de Trump

Jerusalém, 22 Jan 2017 (AFP) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que conversará na noite deste domingo com o presidente americano, Donald Trump, cuja posse impulsionou o lançamento de novos projetos de colonização em Jerusalém Oriental.

A prefeitura israelense de Jerusalém deu a aprovação definitiva à construção de 556 casas em três bairros de colonos do leste da cidade, de população majoritariamente árabe, anunciou neste domingo um conselheiro municipal.

Paralelamente, a ala mais dura da direita no poder lançou uma campanha de pressão contra Netanyahu a favor de uma anexação de Maalé Adumim, uma importante colônia da Cisjordânia ocupada.

Segundo um novo projeto de lei apresentado por dois deputados da maioria parlamentar, que o gabinete de segurança deveria debater neste domingo, Israel anexaria Maale Adumim, assim como um setor que uniria esta colônia a Jerusalém.

Esta decisão dividiria em duas a Cisjordânia e tornaria praticamente impossível a criação de um Estado palestino viável, com continuidade geográfica.

Situada a leste de Jerusalém e criada em 1975, Maalé Adumim é a terceira colônia mais populosa da Cisjordânia.

Em Jerusalém Oriental, a pedido de Netanyahu e à espera da chegada de Trump à Casa Branca, foram congeladas no fim de dezembro as autorizações de construção de casas, explicou à AFP Meir Turjeman, presidente da comissão de construção e planejamento da prefeitura de Jerusalém.

Estas casas seriam construídas agora nos bairros de colonos de Pisgat Zeev, Ramot e Ramat Shlomo, disse.

"As regras do jogo mudaram com a chegada de Donald Trump ao poder. Não temos mais as mãos atadas, como na época de Barack Obama", afirmou Turjeman.

"Estas 566 casas são apenas o tiro de largada. Temos planos para construir 11.000 casas à espera de ser autorizados" nos bairros de colonos de Jerusalém Oriental, acrescentou.

A resposta palestina não demorou a chegar: "a decisão israelense é um desafio ao Conselho de Segurança (da ONU), sobretudo após sua recente votação, na qual afirma o caráter ilegal das colônias", afirmou Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência palestina.

"Exigimos que o Conselho de Segurança aja em conformidade com esta resolução, para deter o governo extremista israelense que destrói qualquer possibilidade de alcançar uma solução com dois Estados", acrescentou.

O movimento islamita palestino Hamas, inimigo jurado de Israel, também condenou a decisão israelenses, que classificou de "contrária ao direito internacional".

- Negociações sobre o Irã -

O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, também declarou em um comunicado que também serão construídas 105 casas nos bairros palestinos. "Passamos oito anos difíceis com Barack Obama, que pressionava para que as construções fossem congeladas", explicou o prefeito.

Netanyahu comemorou a chegada ao poder de Trump, depois de ter mantido relações tensas com seu antecessor no cargo, crítico à questão das colônias, consideradas por ele um obstáculo nas negociações de paz com os palestinos há mais de dois anos.

A tensão alcançou seu auge quando, em 23 de dezembro, os Estados Unidos não vetaram, pela primeira vez desde 1979, uma resolução da ONU que condenava as colônias israelenses.

Cerca de 430.000 colonos israelenses vivem atualmente na Cisjordânia ocupada e mais de 200.000 em Jerusalém Oriental, que os palestinos desejam que seja a capital do Estado ao qual aspiram.

Segundo a rádio pública, no momento o gabinete de segurança irá se limitar a discutir a construção em Maale Adumim, sem tomar nenhuma decisão antes de Netanyahu se reunir com Trump, o que poderá acontecer em fevereiro.

Para a comunidade internacional, todas as colônias, ou implantações israelenses em terras ocupadas, são ilegais.

Netanyahu assinalou que a relação com os palestinos é apenas um dos temas, "juntamente com a situação na Síria e a ameaça iraniana", sobre os quais deverá conversar na noite de hoje com Trump, o que foi confirmado pela Casa Branca.

Segundo ele, "a prioridade do Estado de Israel é eliminar a ameaça representada pelo acordo nuclear ruim assinado com o Irã".

Antes de chegar à Casa Branca, Trump afirmou que o texto era "um dos piores acordos".

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